SILVIO SANO >NIPÔNICA: Atentado de Orlando

Minha primeira estada no Japão, como bolsista, em 1975, foi de sete meses. Como se tratava de bolsa-estágio, meu destino foi a uma empresa com sede próximo à capital da província que me contemplou, mas fui enviado à filial pela praticidade ao meu aprendizado na mesma. O problema é que se localizava um pouco afastada da “civilização” (no Japão?… rsrs), a ponto de até, do alojamento onde fiquei, em todos os finais de tarde, no verão, ouvir o coaxar das rãs, vindo das plantações de arroz da redondeza.

Ou seja, terminado o expediente da empresa, isolado em meu alojamento, minhas opções eram: estudar japonês, ler algum livro e ver TV, visto que, naquela época, o computador pessoal (PC) ainda não era uma realidade tão comum aos cidadãos, mesmo no Japão. Fiz as três!

Foi quando percebi, pela primeira vez, como os programas de TV do tipo “pastelão” faziam sucesso naquele país que considerava superdesenvolvido e o admirava principalmente no quesito Educação. Ou seja, fiquei chocado. Até porque já tinha ciência do quão caro eram os minutos de TV naquele país. De qualquer forma, a TV, via noticiários, também me ajudou a ir formando seu perfil real, até porque melhorava também no conhecimento da língua.

Não me surpreendi com seus avanços tecnológicos, cada vez mais a par, mas o contrário me ocorreu em relação ao outro lado, do qual me restringirei apenas a um item além do “pastelão” acima. Refiro-me ao absurdo número de suicídios, dos maiores do mundo, dentre jovens e, inclusive, coletivo, como ocorreu quando um cantor popular morreu e jovens saltavam de prédios de mãos dadas.

Até me preparei para esses tipos de surpresas choques a ponto de criar um provérbio para mim mesmo: “Em país estranho, coisas estranhas não deverão ser estranhas para mim”. Ainda assim, foi-me difícil engolir esses dois fatos.

Terminado o estágio, de mochila, resolvi retornar ao Brasil passando antes por vários países das Américas, em uma aventura de três meses. Comecei a escala pelos EUA, passando por Havaí, São Francisco, New Jersey, New York, Denver e New York, novamente, finalizando uma estada de duas semanas.

O que me chamou atenção nesse país foi certa afinidade com o Japão nos mesmos quesitos acima, ambos, potências em desenvolvimento, com a diferença de que, em vez de suicídios de jovens, vi facilidade do desenvolvimento de seitas fanáticas que levavam ao mesmo destino final. Chocante!

Naquela época fiquei intrigado com essa relação desenvolvimento versus posturas “controversas” (… para mim!), da qual tirei uma conclusão por minha conta, já que não é minha praia: em país desenvolvido, onde tudo é alcançável, há que se prevenir, principalmente, contra as armadilhas do cotidiano… se bem que, mesmo em não desenvolvido… rsrs.

Ainda não li e nem ouvi algo relacionado, ao que me refiro, ao atentado de Orlando, nem tenho essa pretensão, mas para mim tem também a ver, até porque as últimas notícias de lá indicam a possibilidade de ele próprio ter sido gay… somado ao fato de suas leituras sobre o EI.

Fui…

 

Desenvolvimento

Meta de qualquer nação

A qualquer custo.

 

SILVIO SANO

SILVIO SANO

é arquiteto, jornalista e escritor.

E-mail: silvio.sano@yahoo.com
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