SILVIO SANO > NIPÔNICA: Boom de nipo-brasileiros conquistando o Japão?

Não estou a par dos pioneiros nipo-brasileiros ligados à música que buscaram alcançar sucesso no concorrido mercado fonográfico japonês, por isso não sou capaz de informar quem e quando foram os primeiros. Até ouvi dizer de um, em passado remoto, que foi crooner de uma banda japonesa e chegou a ter fã-clube no país, mas não sei o nome.

Se bem que não é o fundamental aqui, visto que pretendo abordar apenas o fato do desafio e do objetivo alcançado, o que parece estar ocorrendo ultimamente em grande escala por parte dos nossos conterrâneos que resolveram se arriscar naquele país.

Aliás, um não tão recente, mas que alcançou as paradas de sucesso naquele país, ora em tour no Brasil devido às Olimpíadas, fará uma apresentação no auditório do Bunkyô, neste sábado. Trata-se de Márcia… ou Marushia, como é conhecida naquele país. Depois dela tivemos Kanako Minami, de carreira curta, mas que também chegou ao auge dos programas musicais daquele país.

A atração pelo Japão nesse aspecto tornou-se ainda maior, devido à tecnologia da globalização que mostra em tempo real como aqueles programas são realizados, com muito brilho, ricos cenários, que acabam atiçando mesmo os egos dos jovens nikkeis apaixonados pela música.

Os meios para se buscar esse estrelato tem sido os mais diversos. Um deles, já estando lá, por meio dos grandes concursos, como o do maior, realizado pela NHK, já conquistado por Joe Hirata, Robertinho Casanova e Valter Koiti Saito. Não tenho informações relativas sobre este, mas Robertinho já vive só disso naquele país, assim como Joe por aqui, onde é sucesso garantido.

Karen Ito, que também é sucesso em nosso meio, após vencer um concurso japonês, chegou a ser convidada por produtores japoneses, outra forma, e até pretendia aceitar o desafio, mas acabou tendo de retornar. Igualmente, estão lá, Deborah Shimada, Isadora Kataoka, etc., mas cumprindo período de “hibernação”, praxe quase que obrigatória antes de se lançarem no mercado fonográfico, ao qual já passou Melissa Kuniyoshi, com lançamento marcado para breve.

E há os que tentam galgar a partir debaixo, como fez Eduardo (Toshiaki Yoshizawa) que, na condição de decasségui, buscou trabalhar sempre em áreas vinculadas. Foram cinco anos de espera! Hoje, é o que tem maior projeção naquele país, bateu recorde de vendas de CD no lançamento, tem agenda cheia para o ano todo e, provavelmente, também ao seguinte. O que lhe garante futuro promissor.

Mas não nos restringimos apenas aos cantores. Há pouco, recebi a notícia de que uma composição musical de autoria do prof. Akihisa Kitagawa, com parceria na letra do prof. Shohei Mozu, Dokoni saitemo Hanawa Hana, faz parte do CD de lançamento da conhecida cantora japonesa Yuko Maki e que, por isso, já está incluída nas listas de músicas dos principais karaokê boxs do Japão. “Eu mesma a cantei em um, quando estivemos no Japão, ao lançamento”, contou-me Júlia Kitagawa, a quem, na verdade, estava destinada essa música, na origem.

Ou seja, não me parece exagerado o “boom” ao título. Né, não?!

 

Mais do que vencer,

Importante é competir!

Sim… a nós “mortais”!

 

SILVIO SANO

SILVIO SANO

é arquiteto, jornalista e escritor.

E-mail: silvio.sano@yahoo.com
www.nikkeypedia.org.br/index.php/Silvio_Sano
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