SILVIO SANO > NIPÔNICA: CADÊ O CAVALHEIRISMO?

 

 

Ainda no embalo da primeira viagem ao Japão de minha nor… ops, filha, outro tema que veio à baila foi sobre cavalheirismo naquele país, ou melhor, machismo explícito… ou ainda, submissão conformada das japonesas. Lógico que há as exceções, até mesmo naquele país… rsrs. Mas esse papo me remeteu à minha juventude no Brasil e ao que também testemunhei por lá, assim como ela.

Bom, mesmo aqui, para muitos, não machismo, mas cavalheirismo é coisa do passado. Ou seja, já houve época em que isso era uma das qualidades primordiais para se conquistar uma garota. Época romântica, aquela. Para mim, a quebra do romantismo começou nos anos 60, a partir dos movimentos hippies. Mesmo assim, penso eu, a maioria não aderiu tanto assim. Fui um deles. Quem sabe, o último, em minha modesta opinião… rsrs. E era dos bons… a ponto de até quase… disse, quase… estender minha jaqueta sobre uma poça d’água para a garota passar.

Mas também o era com senhoras ou idosos, coisa muito difícil de se ver hoje em dia, apesar das recomendações, principalmente, nos transportes coletivos. O que vi outro dia, no Metrô, foi incrível. Foi no momento do entra e sai do vagão. Flagrei, veja só, um jovem a disputar com um idoso um lugar para sentar. Afirmo isso com certeza porque, de pé e também de olho naquele lugar acabei atento à cena. Para mim, ficou evidente que o jovem percebera o idoso em direção ao lugar, por isso se apressou, se sentou e logo pegou o ipod para disfarçar.

Foi quando me remeti ao Japão onde isso é quase comum. Se bem que, nesse caso, trata-se de uma questão de cultura. Quando moramos em Nagoya, muito antes do boom dekassegui, nossas vizinhas japonesas, não se cansavam de elogiar minha esposa, invejosas, quando me viam carregando algo dela, coisa que seus maridos jamais fariam. E deve ser verdade, pois sempre me recordo da cena de um casal de idosos ao subir num trem onde, com minha esposa, já me encontrava sentado. A senhora, carregando duas enormes malas, vinha na frente. O marido, com um jornal nas mãos, vinha logo atrás. Os assentos à nossa frente e voltados para nós estavam vagos. Ela  pediu licença e, com dificuldade, tentou levar uma das malas ao maleiro. Percebendo sua dificuldade, ajudei-a. O marido nem se mexeu. Então, peguei-lhe a outra mala e a coloquei no maleiro. Daí, num movimento brusco, o marido veio em minha direção. Preparei-me para o pior.

Ele apenas fez a reverência nipônica e me agradeceu pela ajuda…

 

Não o encare assim

Mas como algo natural

Igual o céu e o mar…

 

 

 

 

 

Silvio Sano

é arquiteto e escritor. E-mail: silviossam@gmail.com

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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