SILVIO SANO > NIPÔNICA: CADÊ OS CAVALHEIROS?!

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“Já houve época em que cavalheirismo era uma das qualidades primordiais para se conquistar uma garota. Época romântica, aquela. Cá prá nós, a quebra do ro-mantismo não se deu somente agora. Começou nos anos 60, através dos movimentos hippies. Mesmo assim, a grande maioria não aderiu e o cavalheirismo prevaleceu por muito tempo ainda. Eu fui um deles. Talvez o último… em minha modesta opinião. E era dos bons (Tosse! Tosse!). Só faltava estender minha jaqueta sobre uma poça d’água pa-ra a garota passar.”

E olha que escrevi esse primeiro parágrafo de uma Nipônica, há muitos… e muitos anos… rsrs. A razão de tê-lo retomado foi devido à matéria desta semana sobre a censura, na China, a um gesto de cavalheirismo do presidente russo Vladimir Putin à primeira-dama chinesa, Peng Liyuan, em um momento de descontração durante a abertura do fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), realizado em Pequim, porque tão logo flagrado pelas câmeras de TV, provocou piadas e memes por todo país. Os censores entraram logo em ação para apagar vídeos da internet e comentários provocadores nas redes sociais!!

Entendo bem isso, em se tratando de país de cultura milenar… e asiática, porque morei muitos anos no Japão! O gesto dele foi o de colocar um casaco às costas da primeira-dama, o que para nós seria algo natural. Lá, criou todo esse alvoroço… e em mim, a lembrança de uma situação, ótima para ilustrar essas diferenças.

Antes, porém, preciso recordar a postura de minhas vizinhas do bairro em que morei, em Nagoya, pouco antes do início do movimento dekassegui. Elas costumavam ironizar (invejosas?), quando me viam carregando algo para minha esposa, alegando que seus maridos nunca fariam isso! Coisa que passei a acreditar após a cena que me ocorreu, certo dia, quando com minha esposa, já acomodados no vagão de um trem, vi chegar um casal de japoneses, ela carregando duas enormes malas, à frente dele com… apenas um jornal nas mãos! Como os assentos à nossa frente estavam vagos, pedindo licença, ela tentou colocar uma das malas no maleiro. Vendo sua dificuldade, ajudei-a. O marido nem “tchum!” Então a ajudei também com a outra. De repente, o marido veio em minha direção. Preparei-me pro pior.

Ele apenas fez a reverência nipônica… e me agradeceu pela ajuda!!

 

 

Não à censura!

Ainda mais ao cavalheirismo?

Não me impeçam!

 

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Silvio Sano

é arquiteto, jornalista e escritor. E-mail: silvio.sano@yahoo.com

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