SILVIO SANO > NIPÔNICA: Chapa Dilma/Temer e Imigração Japonesa

Com o mês de junho se iniciando, Mário reparou que Hiroaki estava muito preocupado com os acontecimentos da comunidade nipo-brasileira devido às comemorações do 109º aniversário da imigração japonesa no Brasil. Mas também, por seu interesse na Operação Lava Jato, não estranhou o pedido dele para que lhe gravasse o julgamento da Chapa Dilma/Temer pelo TSE porque não podia assisti-lo durante o serviço, apesar de ser jornalista e estar em empresa afim.

— É que só responsável pela matéria, assistir. Mas como estar muito interessado, também querer ver — esclareceu Hiro a Mário — Falar nisso… Por que julgamento só agora, dois anos e meio depois?

— Xii, Hiro. Isso é uma longa história — Mário sorriu com olhar maroto — Bom, tem a ver com a tradicional morosidade do nosso judiciário, mas nesse caso, também por questões políticas, claro… de momento, de interesse. Entende?

Hiroaki, com olhar idêntico mostrou, ao menos, ter percebido a insinuação.

— Quando assistir ao vídeo, entenderá melhor — Mário que acompanhou o mesmo com muita atenção, sabia o que estava falando — E pior… que as tendências já estavam claras muito antes do veredito.

— Ah! Por isso que alguns dias antes muita gente já falar em 4 a 3 contra a cassação da chapa e acertar? — indagou Hiro, que fez uma pausa e retomou — E por que alguns ministros não aceitar provas que TSE mesmo pediu?

— Pois é, Hiro — Mário abriu as mãos — Por isso falei das questões políticas. Depois que assistir ao julgamento completo poderemos conversar mais profundamente a respeito — Mário resolveu mudar o assunto porque sabia que Hiro estava também com outras preocupações — Aliás, já poderíamos ter conversado sobre isso se não tivesse sumido no final de semana.

Hiroaki riu sem jeito.

— Ah! É que começar grandes eventos da comunidade por causa imigração. Então, sábado ir a Japan Matsuri, em Osasco e, domingo, Festival do Japão, em Campinas. Muito cansado — Hiro deu um suspiro — Mas muito bom! Até chorar!

— Caramba, Hiro. Foram tão bons assim?

— Bom… primeira vez, ver tudo aquilo do meu Japão, não segurar, né — Hiro deu um sorriso envergonhado — mas muito cansado porque ir de trem pra Osasco, mas conseguir carona pra Campinas. Mas valer a pena — agora deu um sorriso orgulhoso.

— Que bom que está curtindo as coisas da comunidade e tem mais até julho, né — lembrou Mário.

— Sim, domingo agora, dia oficial da imigração, três celebrações especiais: 8h, missa na Igreja São Gonçalo… ir de Metrô; 10h30, ritual homenagem imigrantes pioneiros falecidos… perto do Pavilhão Japonês, no Ibirapuera; e, às 14h00, cerimônia budista no Bunkyô. Na outra semana, dois dias de Gueinosai, festival de música e dança folclórica, também no Bunkyo. E depois ter também grande Festival do Japão, na rodovia dos Imigrantes, né.

— Caramba, Hiro… vai estar isogashii (ocupado), héim — Mário brincou e completou — Bom, como também sou um interessado, em alguns te dou carona. Ok?

— Opa! Mário-san. Hiro agradece.

 

Hiro ocupado

Com as coisas do Brasil?

Não! Com as do Japão!

 

SILVIO SANO

SILVIO SANO

é arquiteto, jornalista e escritor.

E-mail: silvio.sano@yahoo.com
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