SILVIO SANO > NIPÔNICA: COM A FACA E O QUEIJO NAS MÃOS… AINDA

resized_logo-tratado-BRJP-FBPara a comunidade nipo brasileira, junho é o mês em que se comemora a vinda dos primeiros ancestrais ao país, mais precisamente no dia 18, quando 107 anos atrás, 781 japoneses desembarcaram no porto de Santos, época de festas juninas, com balões no céu, o que, aliás, os fizeram confundir com uma recepção de boas vindas. Mas isto é outra história.

Em razão disso, nessa época, nas regiões do país onde a comunidade está presente, diversos eventos relacionados são programados. E são tantos, bonitos, muito bem organizados e repletos de gente que, quem acaba de chegar de Marte, só por vê-los nesse período e sabendo que são realizados por associações de uma única comunidade imigrante dentre as mais de sessenta no Brasil, com certeza, imaginará que seja a maior, mais forte e a mais integrada dentre elas. Ledo engano.

É a quinta maior, mas não atinge 4% do total. Se bem que, desde que chegaram ao Brasil, foi a comunidade que mais atenção deu à educação de seus descendentes e de forma tão explícita que, não de graça, foram cognominados com aquele “garantido, nô?!”, da certeza de que uma tarefa lhes incumbida seria cumprida… e bem cumprida. Por isso, proporcionalmente, talvez seja a que mais contribui economicamente ao país.

Ué?! Então por que a afirmação do ledo engano? Pois é. Não vim de Marte, sou terráqueo e mais do que isto, nikkei. A afirmação fica por conta de, mesmo com todo esse evidente potencial, a comunidade não ser partícipe nos rumos da Nação.

Os não descendentes ficam maravilhados com os eventos, mas não mais surpresos porque, para eles, essa qualidade de prestação de serviços partindo da comunidade nipo brasileira já lhes tornou natural. Ou seja, até eles sabem que, coletivamente, a comunidade trabalha bem… mas não suas próprias lideranças. Não seria por isso que, não percebendo seu potencial contributivo, não tem ainda a representatividade política adequada em relação ao país?

É o que muito tem se “pegado” aqui sobre não saberem explorar a relação de interdependência mútua, comunidade e políticos (não necessariamente nikkeis), até para garantia da realização desses eventos que demandam altos recursos. Ao menos, é o que este escriba não marciano tem constatado todos os anos de muita penúria às associações para realizarem seus tão badalados eventos.

Ou seja, a comunidade tem a faca e o queijo nas mãos… ainda. Tão perando o quê?

De minha parte, continuo atiçando-a… rs, mas também contribuindo como posso, como com a logo (que não é a oficial, mas é minha) que ilustra este texto, aos 120 Anos do Tratado de Amizade Brasil Japão que se comemora neste ano.

 

O que fazer com

O queijo, de faca nas mãos…

Senão comê-lo?

 

 

SILVIO SANO

SILVIO SANO

é arquiteto, jornalista e escritor.

E-mail: silvio.sano@yahoo.com
www.nikkeypedia.org.br/index.php/Silvio_Sano
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