SILVIO SANO > NIPÔNICA: CULTURA, TRADIÇÃO E COSTUME

 

Meus filhos (filho e nora… ops!, explico: conforme a tradição japonesa, entrou na família, entrou “literalmente”… rsrs) acabaram de retornar de um passeio ao Japão e consumando um desejo enorme de minha nor… ops!, digo, filha. Nippon he ikunoni sugoku kitaishiteta (Estava super ansiosa para ir ao Japão). Apesar de não ser descendente de japoneses, gosta muito da cultura, não tem problemas com a culinária, ao contrário, adora.

E na conversa sobre as impressões que teve, maravilhada, afirmou que tudo o que viu foi favorável e muito além de sua expectativa. E eu ouvindo-os, logo me remeti a momentos passados por mim, por ocasião da também primeira vez em que estive naquele país e que acabaram por gerar esta coluna, Nipônica, cujo escopo era esse mesmo e que acabei desvirtuando, algumas vezes, ao falar de nossos políticos e de assuntos ligados à comunidade em tons críticos… mas não por culpa minha. Né, não?!!… rsrs.

Por isso gostei do papo com eles, por me trazerem de volta à crônica.

Pois bem, vamos lá. A “filha” privilegiou a postura dos japoneses. Lembrou da linha inerente nos  vendedores do “freguês tem sempre razão”, muito bem tratada que foi, e citou um detalhe quando fez uma compra, sozinha, ao receber o troco ao pagamento que fez com a caixa contando-o, um a um, à sua frente. Ficou admirada com uma cena, comum nos trens naquele país, das pessoas parecerem estar dormindo profundamente, mas acordarem nas estações certas. “A moça, sentada, sonolenta, clicava um Ipad, de repente, fechou os olhos, curvou a cabeça e quase derrubou o aparelho. Daí, o trem parou, abriu a porta… ela se levantou e saiu, tranquilamente…”. Foram vários exemplos parecidos. “Até um macaquinho… no zoológico. Como estava muito frio. Ele dormia num cantinho, sentado cabeça tombada e… braços cruzados… como um menininho!!”, contou animada enquanto ríamos, todos.

Daí, contei-lhe do fechamento, de mais de dois séculos, dos portos ao Ocidente, e de como, com a reabertura, as novidades vieram como um tsunami ao japonês de história milenar e tradição fortemente arraigada. E que, por isso, ainda hoje, é possível testemunhar cenas como a da ilustração ao lado.

Bloqueio secular

Em tradição milenar

Favor não estranhar!

 

 

 

Silvio Sano

é arquiteto e escritor. E-mail: silviossam@gmail.com

 

 

 

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