SILVIO SANO > NIPÔNICA: E os Samurais Blue, héim?!

 

 

Pois é, os Samurais Blue despediram-se da Copa de forma melancólica ao serem goleados pela Colômbia por 4 a 1. Não falo de forma pejorativa, não, apesar de na Nipônica anterior já ter mostrado, até de forma contundente, minha decepção em relação ao primeiro jogo ao postar o comentário em minha rede social de que “… faltou aos Samurais Blue o espírito do Bushidô e sobrou ingenuidade!! E não falo isso, agora, só porque perdeu. Ainda no primeiro tempo, quando venciam, comentei com minha esposa que, com esse futebol não iriam longe e que a sorte era o outro lado ser muito ruim, principalmente nas finalizações. Ou seja, não basta ser aplicado diante de quem improvisa… Tomara que tenha sido apenas aquele mal dia!

Não foi! E, na verdade, não postei tudo o que comentei a ela sobre a postura dos “samurais blue” até porque, naquele momento, ainda não era tão importante assim. Agora, não!, desclassificados que foram… prematuramente! Digo prematuramente porque, dedicados como são e sempre ávidos a aprenderem com estrangeiros, apesar de introspectivos ao extremo, sendo já a 5ª Copa de que participam, a expectativa era a oposta do ocorrido. Apesar de adolescente, ficou marcado em mim o treino rigoroso praticado pela seleção feminina japonesa para conquistar sua primeira medalha em uma Olimpíadas… e de forma arrasadora e cuja “quase hegemonia” mundial durou cerca de dez anos.

Pois bem, o que comentei de fundamental à minha esposa foi que, para mim, a seleção japonesa necessita, é, de um técnico… japonês!! Sim! Principalmente após se auto-apelidarem dessa forma, como samurais! Então, que se comportem como tais!… coisa que um italiano ou mesmo um Zico não seria capaz de fazer… como não fez, quando foi técnico deles na Copa de 2006 e também parou na primeira fase. E pra reforçar essa tese, em uma das vezes quando foi além, o técnico era um japonês (Takeshi Okada)… na outra, em 2002, com um estrangeiro, jogou “em casa”.

E por estarem sempre ávidos a aprenderem e até para não perderem a atualidade, como não medem custos nesse aspecto, bastariam pois enviarem o escolhido e auxiliares a fazerem estágios na Europa, por exemplo, tal qual Tite, ex-Corinthians e outros técnicos mais do Brasil têm feito. Simples, assim.

Insisto nessa tese do técnico japonês porque japoneses são mesmo diferentes na questão da personalidade. Exagero de minha parte? Não penso assim, eu que passei por aquele país por quatro óticas diferentes (bolsista, turista, cidadão comum e dekassegui), tenho sido sempre enfático quando o  tema me leva a isso. E não sou só eu que afirmo isso. A antropóloga Ruth Benedict (O crisântemo e a espada) já afirmara isso de forma contundente a tal ponto de poder se dizer que foi quase uma vidente em relação à bomba atômica como única forma de derrotar os japoneses na guerra. É… aqueles mais de dois séculos “fechados” ao mundo ocidental ainda marcam a postura do japonês insular de história milenar.

 

Se samurais blue,

Então, que puxe a espada!

… ou o crisântemo!

 

 

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Silvio Sano

é arquiteto, jornalista e escritor. E-mail: silvio.sano@yahoo.com

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