SILVIO SANO > NIPÔNICA: Educação básica, só não vê os políticos!

 

 

Sempre que me valho do transporte coletivo sozinho, carrego um livro, como nesta semana. Título: “Os tortuosos caminhos da educação brasileira”, de Cláudio de Moura Castro. Na verdade, adquiri-o em outubro do ano passado, no lançamento, e só agora o peguei para ler firmemente, mas já estou me condenando por isso. Leitura obrigatória não apenas aos afins, como a todos os verdadeiros cidadãos e, principalmente, aos políticos, todos! CMC é um dos maiores defensores da educação básica como prioridade ao Brasil e da qual concordo plenamente. Mas não vou abordar o livro aqui, apesar de ao associar o tema ao da japonesa com ênfase ao da coreana, pela compatibilidade do escopo, será como se o estivesse fazendo.

E posso falar com propriedade sobre a da japonesa porque meu filho a frequentou, naquele país, desde o pré até se formar no 1º ciclo (6ª série) e o “segui” firmemente, assim como a escola. Cheguei a assistir aulas (de pé, no fundo da classe), a conversar com diretor e professores, e até a participar da faxina geral (Oosouji) da escola. E fui além porque, como meu filho frequentava o clube de futebol, até ajudava o treinador nos jogos aos domingos… rs.

Não vou me aprofundar porque já falei aqui sobre a excepcional infra-estrutura das escolas, o trabalho coletivo dos alunos e, bem como, de como o professor é respeitado “divinamente” no país, a ponto de se afirmar que é o único que não precisa se curvar ao imperador (“onde não há professores não pode haver imperador”) e que, não por isso têm salários condizentes com o custo de vida japonês porque, lá, todos têm, inclusive catadores de lixo.

Mas sabia que até pouco antes de se iniciar o processo de emigração, no início do século XX, o Japão já era o único país, praticamente 100%, alfabetizado do mundo?! Ou seja, no mínimo, com boa parcela de educação básica. A emigração nada tem a ver com isso, mas com território ínfimo, carência de recursos naturais e superpopulação. Aliás, graças a essa formação e conscientização que, ao vir ao Brasil mesmo em condições precárias, a comunidade conquistou e usufrui de respeito incontestável no país. Né, não?!… ou “garantido, nô?!”

Pois bem, e mesmo sem se aprofundar, até porque “não é minha praia” e o espaço é limitado, basta mirar-se no exemplo da Coréia do Sul que investiu de modo ininterrupto e maciço na Educação Básica há pouco mais de cinquenta anos. Em 1960, Brasil e Coréia eram bastante semelhantes nos baixos índices socioeconômicos e taxas de analfabetismo, com o Brasil levando vantagem na renda per capita: dobro. Mas, de lá pra cá, os coreanos erradicaram o analfabetismo e sua renda per capita quase triplicou em relação ao Brasil, com patamar de bem-estar invejável. Lá, como no Japão, a competição acirrada por boa formação já começa na pré-escola. É o cidadão também se conscientizando em relação à valorização da educação básica.

E eu, como arquiteto, só tenho de concordar pela obviedade de que qualquer edifício só se mantém firme se assentado em fundações perfeitamente dimensionadas.

 

 

“A educação

é a arma mais poderosa

que você pode usar

para mudar o mundo.”

(Nelson Mandela)

 

 

 

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Silvio Sano

é arquiteto e escritor. E-mail: silviossam@gmail.com

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