SILVIO SANO > NIPÔNICA: Educação não é minha “praia”, mas…

Há muito que quero abordar mais profundamente sobre Educação, mas não por não ser minha “praia”, até porque quem me acompanha sabe que já o abordei por uma ou outra razão pontual e, portanto, de forma superficial.

Bom, a razão, dessa vez, é devido ao Pacote de Renovação do Ensino Médio, com expansão a tempo integral, assinado pelo novo governo, como também da MP ao Congresso, que altera currículo, carga horária e eixos programáticos de etapa da educação básica. Razões existem de sobra para uma intervenção profunda na Educação do país, conforme enumerou o ministro Marcos Mendonça no dia de seu anúncio. E concordo… inclusive com as  “proposições”, mas… não ao Brasil, ainda (?!).

E repito, não é minha praia, não sou adepto do “de médico ou louco cada um tem um pouco”, mas também nem tanto do “cada macaco no seu galho”, né… rsrs, desde que esteja emitindo apenas uma opinião embasada e não uma tese. Né, não?!

Convivi três vezes com a área no Japão, sempre de formas diferentes, quando fui bolsista-estagiário naquele país (1975), depois, pesquisador na Universidade de Nagoya (1985/87) e, finalmente, dekassegui (1989/92), sendo nestas duas últimas na companhia de meu filho em idade escolar.

Na primeira, apesar de minha condição, solicitei aos meus responsáveis, autorizações para visita a uma escola de educação básica e a uma faculdade local e, apesar de estranhados, não apenas consentiram como as obtiveram para mim. Fui, sempre, na condição de ouvinte.

Nas demais duas vezes, não necessitei de autorização porque já era estudante (pesquisador) na universidade e como pai de aluno, sempre o acompanhava nas principais atividades de que participava em sua escola, além de, em outras, por minha iniciativa. Numa dessas registrei, em vídeo, um dia inteiro dele na escola, desde a saída de casa até o final do dia. Minha irmã, que era da área, usou-o em suas palestras sobre Educação no Japão. Mas isso é outra história.

Ou seja, todo esse rodeio apenas para garantir ao leitor que não se trata de opinião tão leiga assim… rsrs, e, portanto, podendo ser levada em consideração, sim, principalmente quando me refiro a, “… não ao Brasil, ainda”.

Pois é. Convivi, pois, com a escola de período integral, de progressão continuada, de currículo nacional, etc. desde há mais de 40 anos e sempre as considerei ideais para a formação de alunos. No entanto, nunca as achei viáveis ao Brasil enquanto a situação econômica da população não se resolvesse e, por consequência, as próprias preparações de nossos professores.

Explico. Num país onde, apesar de crianças menores de 14 anos não poderem trabalhar, mas “tem de trabalhar” (fazem parte do orçamento familiar)… e trabalham! não dá para garantir o sucesso do período integral. Isso, sem contar o baixo salário dos professores e suas próprias formações, razões também do fracasso da progressão continuada no país.

No Japão, os alunos podem “passar” o dia todo nas escolas, assim como os professores que, além de muito bem preparados são igualmente bem remunerados.

 

 

É só evidência.

Leitura da realidade.

Sem invadir praia.

 

 

SILVIO SANO

SILVIO SANO

é arquiteto, jornalista e escritor.

E-mail: silvio.sano@yahoo.com
www.nikkeypedia.org.br/index.php/Silvio_Sano
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