SILVIO SANO > NIPÔNICA: Efeito Natsumero

Nunca convivi tanto com músicas japonesas como nos últimos dezoito anos, período em que minha deusa começou e ainda participa dos concursos de karaokê da comunidade, apesar de que desde sempre, de alguma forma, eu já ter forte ligação com as mesmas.

E de forma literal, porque desde criança, quando ainda em minha Fernandópolis, devido às atividades do kaikan (clube) local, apesar de tenra idade (menos de dez anos), sempre fui muito “tocado” por elas… sem que “meus” adultos o percebessem… e nem mesmo eu!

Só vim a perceber depois de adulto cada vez que era remetido às lembranças daquela época por situações relativas. Os próprios concursos de agora, não dessa forma contundente, trouxe-me à lembrança a Mitiê-san, que cantava demais e “tocou” muito este escriba, mesmo criança. Na época, animados por bandas por ainda não existir o aparelho de karaokê.

E na banda um violinista sempre atraía muito minha atenção: Oishi-san!… principalmente quando solava a introdução da música japonesa Yunomachi Ereji! “Taqui, ó”… na memória!

Mas era “tocado” também por músicas não japonesas, a ponto de ter decorado até recentemente os primeiros versos da música Uma História de Amor, de tanto ouvir meu nisan (irmão mais velho) cantarolando em casa, naquela época. Agora, canto-a inteiramente… rs.

E sem querer me gabar, mas já o fazendo… dos filmes que também assisti naquele kaikan, “tocou”–me também a música de fundo (Gunkan Machi) da trágica cena do navio de guerra japonês afundando no mar, atingido por um torpedo americano.

Eu era apenas um garoto…

Daí porque considero que entendo o sucesso prolongado do evento Nipponjin no Kokoro no Uta (Música da Alma do Japonês), abrasileirado adequadamente para “Melodias Imortais”. É o efeito Natsumero (melodia saudosa) da música tradicional japonesa, cuja característica marcante, modo geral, parece ser a de enaltecer o sofrimento, a dor… o que toca a alma. Né, não?!

Aliás, certa vez no Japão, à minha pergunta a um japonês sobre isso, respondeu-me… “porque japonês gosta muito de chorar”!

 

SILVIO SANO

SILVIO SANO

é arquiteto, jornalista e escritor.

E-mail: silvio.sano@yahoo.com
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