SILVIO SANO > NIPÔNICA: FÉRIAS TRABALHISTAS, AQUI E ACOLÁ

Minha primeira ida ao Japão foi na condição de bolsista-estagiário pela província de Mie, terra natal de meu pai. Isso, há muito… muito tempo… rsrs. Diferentemente do bolsista-escola, cuja estada era de um ano, a minha permitia-me ficar menos tempo. Foram sete meses e, em vez de em alguma faculdade, cumpri estágio em uma empresa com afinidade à minha formação, o que achei ótimo porque acabei tomando conhecimento também das leis trabalhista japonesa muito cedo.

Apesar de que fora apenas de forma superficial, visto que fui para lá para um estágio em arquitetura, área em que me formara e numa especialização que escolhera, no caso, construção em pré-moldados. Ou seja, numa empresa que tinha área administrativa, projetos, produção de peças, construção (montagem) e acompanhamento de obra… uma verdadeira escola ao jovem recém-formado!

Fiz todo esse introito apenas porque li uma reportagem no site da UOL sobre os diferentes tamanhos das férias trabalhistas em diversos países, das quais, pasmem!, a nossa não é a maior!!… rsrs, e que me remeteu à minha experiência acima. Brincadeirinha à parte, mas é verdade que não somos os mais favorecidos com isso! Os países que apresentam os períodos de férias mais longos, em dias úteis, são os Emirados Árabes e o Iêmen, com 30 dias!! À frente do Brasil, que tem 21 dias (ou 30 corridos), ainda estão o Reino Unido com 28; Áustria, Dinamarca, França, Suécia, Kuait e Síria, com 25; e Portugal, com 22. No outro extremo, também não é o Japão o país que tem o menor, mas a China e a Nigéria, pasmem novamente!, com 5 dias úteis!! O Japão é o terceiro com 8, logo após o México, com 6.

São informações da OIT (Organização Internacional do Trabalho), agência ligada à ONU que prevê o mínimo de três semanas por ano como direito de todo trabalhador a férias remuneradas, mas que, pelo visto, pouco significa a muitos países, até por suas próprias culturas diferentes.

Pois bem, voltando ao meu estágio no Japão, lembro-me de que ficava admirado com o pouco tempo de férias deles, mas talvez, mal acostumado com o que tinha de direito em meu país, isso, sem contar nossos numerosos feriados, esses sim, provavelmente, sem igual no mundo… rsrs. Por isso, não demorei muito a entender a razão de em todos os finais de semanas, ou feriados prolongados, em qualquer lugar a que me deslocava para passear, ainda mais eu, meio-estagiário meio-turista, esbarrava-me com gente que não acabava mais! Filas e mais filas, tudo lotado, trens, locais turísticos, restaurantes, etc. Se bem que, afinal, nem mesmo o japonês é de ferro. Né, não?!

Agora, a maior razão de essa reportagem ter me remetido àquela época foi porque acabou consolidando o que já tinha constatado naquele meu estágio em relação aos trabalhadores japoneses… de que a maioria deles ainda acaba tirando apenas metade desses 8 dias de férias. Pode?

 

 

Férias trabalhistas

Devem ser cumpridas sempre

À sua saúde!!

 

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Silvio Sano

é arquiteto, jornalista e escritor. E-mail: silvio.sano@yahoo.com

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