SILVIO SANO > NIPÔNICA: Hiro: — Bai, Corintiansu!!

Inspirado no desenho animado Capitão Tsubasa, no Japão, Hiroaki aprendera a admirar muito o futebol brasileiro e, assim como o personagem principal, desde criança colocou na cabeça que um dia iria ao Brasil para jogar futebol e se aperfeiçoar ainda mais.

Ironias do destino, conforme foi crescendo, as atividades ocupacionais e profissionais foram dando-lhe outro rumo. O futebol não se tornou seu ganha-pão e sua vinda ao Brasil acabou sendo postergada. Mas não sua vontade de concretizá-la.

Como se tornou jornalista, mas não esportivo, outra ironia, ainda conseguia de alguma forma acompanhar o futebol que tanto amava. Assim, quando o Corinthians foi disputar o Mundial Interclubes no Japão, em 2012, resolveu assistir aos jogos do time brasileiro.

Foi quando também se tornou corintiano, por influência da enorme caravana de torcedores corintianos que viu invadir seu país na época. No primeiro jogo do Corinthians, na cidade de Toyota, contra o Al Ahly, assistiu ao jogo num setor neutro do estádio. Quase não acompanhou o jogo admirado que estava com a torcida. Na final, em Yokohama, via empresa, conseguiu um “jeitinho” de assistir à grande conquista bem no meio dela.

Foi quando, de repente, envolvido por ela, se viu comemorando o título mundial da mesma forma. Nunca vira coisa igual. Não teve mais dúvida. No dia seguinte deu início ao seu plano de viajar para o Brasil e juntar os recursos para isso.

Como seu pai era contra esse “plano louco”, como lhe dizia sempre, Hiroaki só conseguiu vir ao Brasil recentemente, e chegando à casa de Mário por indicação. Para sua sorte, ele também era corintiano, apesar de não fanático. “Existir corintiano assim?”, indagou-o quando soube.

Tão logo entrou no ritmo de suas atividades no Brasil, direcionou suas antenas aos jogos do Timão. E foi ao seu primeiro jogo no novo estádio. Mas não deu sorte em sua estreia na Arena, porque seu time perdeu para o Santo André. Então resolveu aguardar o andamento do campeonato antes de nova investida ao estádio.

Mas a partir da segunda fase, otimista, resolveu assistir a todos os jogos do Timão e com as caravanas. “Caramba, japa! Você é bem mais corintiano do que eu!”, Mário ficou admirado e acabou aceitando acompanha-lo ao último jogo. “Mas ter de ser no meio torcida!”, Hiro o convenceu.

E foram de Metrô porque a residência de Mário se localizava próximo a uma das estações. Com camisas e bandeiras, partiram. Desde que entraram no trem, a cada estação, mais torcedores iam se juntando a eles e a alegria aumentando porque ninguém acreditava em reviravolta adversária. Até para Mário, que ia pouco aos jogos, mas sempre de carro, estava sendo uma experiência incrível.

Terminada a partida, exaustos depois de muito festejarem junto à torcida, já de noite, no caminho a pé da estação até a casa, Mário achou que Hiroaki estava chorando.

— Quê isso, Hiro? — brincou.

— É que… sonho realizar… campeão, primeira vez — respondeu, enquanto cobria o rosto para que ninguém na rua percebesse isso.

 

Sonho de criança

Do outro lado do mundo

Bai, Corintiansu!

 

SILVIO SANO

SILVIO SANO

é arquiteto, jornalista e escritor.

E-mail: silvio.sano@yahoo.com
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