SILVIO SANO > NIPÔNICA: HIROSHI ITSUKI – parte III, final

“Por que voltou ao assunto?”, perguntarão muitos leitores. Não pretendia mesmo mais fazê-lo

até porque, diferentemente do que aos que o assistiram, a mim foi mais para uma pedra no

caminho. Não o show, que não assisti pelas razões que já escrevi e que sintetizo aos que não

as leram dizendo apenas que, quando jovem, fui fã de carteirinha de Roberto Carlos. Hoje,

não mais! Não perdia um Jovem Guarda, assim como, 35 anos atrás… fui ver Itsuki!

Retomo o assunto devido ao “zunzum” que “trouxeram” a mim sobre o beneficente Dinner-

show (?!), ao qual também não fui. Um dos membros da comissão me contou que, desde o

início, a orientação foi para venderem os convites apenas como jantar… com possibilidade

remota de Itsuki cantar. Se bem que quase todos que ouvi afirmaram tê-los comprado como

se com show fosse, sem contar a impressão geral de que o cantor e comitiva, que

permaneceram por apenas 30 minutos, não estavam de cara boa.

A razão pode estar no fato de, ao desembarcar no Brasil, mostrarem desconhecimento dessa

realização, causando estranheza aos organizadores que afirmaram ter solicitado, com

antecedência, à produtora daqui, a obtenção do aval para isso. Aos japoneses daquela

sociedade do tudo rigorosamente no lugar, saberem do jantar só aqui, deve ter sido um

choque! Mesmo assim, depois de muita conversa, a muito custo, conseguiram garantir a

presença do cantor no jantar… por 20 minutos!

Ué?! Mas e a tal amizade? Pois é. Mantenho o que afirmei a esse respeito no que se refere…

ao lado de lá! Por isso, em meu romance (Sonhos Que De Cá Segui) criei o personagem

japonês apenas para mostrar o quão difícil é fazer amizade com um, mas que conquistada, a

confiança seria irrestrita… da parte dele! Segundo me contaram, no jantar, Itsuki afirmou que,

ao receber o convite para vir ao Brasil, de pronto, não se lembrava do senhor Ikeda e que

estranhara o fato de um delegado organizar eventos… apesar de no Brasil não ser estranho,

ainda mais por se tratar de ex e aposentado.

Então fui rever o vídeo da mensagem que o cantor enviou aos nipo-brasileiros anunciando

sua vinda ao Brasil. Pela fala dele, as razões foram, claramente, os 120 Anos do Tratado de

Amizade Brasil-Japão e, principalmente, um fato que lhe é inesquecível da primeira vez que

veio ao Brasil: ter cantado, em 3 dias, a um público total de 45 mil pessoas!! Além disso,

afirmou, dessa vez seria beneficente! Ou seja, atenderia a qualquer um que lhe fizesse o

convite… dentro das regras japonesas. Por isso o Dinner, apesar de, esse sim, beneficente,

por não ter sido previamente comunicado, acabou com essa saia justa. “Foi um alívio o cantor

ter vindo, mesmo que por minutos e ainda cantado uma só música… mesmo à capela”,

suspirou meu confidente da comissão.

Algo, porém, ficou no ar: o cantor afirmou que viria para show beneficente, mas implicou com

o único evento que realmente foi e ainda fez cara feia, apesar de que, desde que chegou, por

todos os lugares extra-show por onde passou, sempre mostrou satisfação e muita simpatia.

Né, não?!

 

Não foi bem assim

Mas poderia ter sido

Com mais transparência!

 

SILVIO SANO

SILVIO SANO

é arquiteto, jornalista e escritor.

E-mail: silvio.sano@yahoo.com
www.nikkeypedia.org.br/index.php/Silvio_Sano
SILVIO SANO

Últimos posts por SILVIO SANO (exibir todos)

     

    Related Post

    JORGE NAGAO: Habemus haicaístas Originado do tanca, 31 sílabas, Matsuó Bashô para 17, no século 17. Assim nasceu o haicai. No início do século XX, o haicai chegou de navio em ...
    JORGE NAGAO: Futebol Faz Chorar   A cerimônia da Fifa Ballon D’or 2013 foi emocionante. Haja coração! As lágrimas rolaram em rostos famosos. Como sede da Copa-2014, apesar do...
    JOJOSCOPE: Naomi Kawase na TV Cultura   A diretora Naomi Kawase, em Cannes, recebendo o prêmio por A Floresta dos Lamentos, em 2007.   Uma das diretoras mais independen...
    CANTO DO BACURI > Francisco Handa: O caminho da ce... O caminho da cega Para onde se dirige A cega arrastando Uma bengala. Sempre a fazer O mesmo caminho Arrastando as pernas. Para onde vamos ...

    Faça seu comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *