SILVIO SANO > NIPÔNICA: Honra, lá e cá… eis a questão!

A Operação Custo Brasil, um desmembramento da Operação Lava Jato (Pixuleco 2), ligada à corrupção em contratos do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão em que envolveu e prendeu o ex-ministro Paulo Bernardo, poderia ser apenas mais uma das “n” realizadas pela Polícia Federal. Mas não foi!… para mim! Porque a esposa do ex-ministro, a senadora Gleisi Hoffmann, subiu a tribuna do Senado… só quatro dias após, para defende-lo… e à honra da família!, o que me remeteu ao Japão e deu título a esta Nipônica, como sequência à anterior.

 

Vamos lá!

PB, como é conhecido, foi preso, preventivamente, por decisão da Justiça Federal de São Paulo, alvo da Polícia Federal que investiga, mais, um suposto esquema de corrupção para abastecer o PT. “Uma prisão ilegal, abusiva e desnecessária. O processo é em si uma condenação definitiva que vale para sempre“, disse a senadora. “A foto de uma pessoa presa nos jornais e TVs, refletida inúmeras vezes durante dias e dias, não se apaga. A absolvição, quando vier, não terá jamais a mesma força. (…) É com essa clara e terrível percepção que enfrento esse julgamento. Com a triste certeza de que o processo manchou de modo injusto, definitivo e irrevogável a minha vida pública, a de Paulo Bernardo… e a de minha família“, arrematou.

Só que a investigação aponta que PB foi também o destinatário de 85% de um repasse de 7.170.031,74 reais do esquema ao escritório do advogado Guilherme Gonçalves, que prestava assessoria jurídica às campanhas… da própria senadora! E não é de agora que ambos são alvos, tanto que, já de há muito, viraram memes nas redes sociais.

Como contraponto ao discurso dela na tribuna, transmitido pela TV Senado a todo Brasil, há um vídeo que a mostra desembarcando no aeroporto de Curitiba, sendo vaiada por esse reconhecimento e, como resposta, ela apenas olha para eles com sorriso sarcástico o tempo todo, talvez porque se imaginando em uma manifestação localizada, mal sabendo que, em tempos de internet, aquela cena também foi para todo Brasil… e até à família e vizinhos.

Por isso me remeti ao Japão, relembrando que o governador de Tóquio, ao renunciar, citou “orgulho nacional”, reforçando como isso é inerente nos cidadãos daquele país e que honra à família é lá que tem… até de forma exagerada, da qual também não concordo porque sou contra qualquer extremismo. E lá, conforme mostra a história daquele país, em defesa da honra da família até haraquiri é praticado… mesmo em tempos atuais! Não precisamos chegar a tanto… rsrs.

Essa questão da postura naquela sociedade das aparências é tão forte que William Ouchi, em seu livro Teoria Z, citou um simples exemplo, da mãe que pediu ao filho para não retornar tão cedo do trabalho a fim de não dar impressão aos vizinhos de que algo ia mal com ele na empresa. Pode?

Mas a senadora… e PB não pensaram nisso quando resolveram, segundo investigações, se beneficiar das propinas advindas dos créditos consignados de funcionários públicos federais, pensionistas e aposentados! Né, não?!

 

Defesa da honra

Só se faz necessário

Com mal feito antes.

 

SILVIO SANO

SILVIO SANO

é arquiteto, jornalista e escritor.

E-mail: silvio.sano@yahoo.com
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