SILVIO SANO > NIPÔNICA: II CONCURSO BRASILEIRO DA CANÇÃO INTERNACIONAL

Desde que convivo com o karaokê na comunidade nipo-brasileira (1999), devido à minha esposa, de quando em quando, tenho escrito a respeito neste espaço e até mesmo feito  reportagens. Apesar de há mais de 15 anos, considero que somos novatos no pedaço, porque há concursos, realizados anualmente por clubes e associações, que já passaram, de há muito, da 30ª edição. Sei que há alguns até com mais de 50 anos de realizações, mas minha referência é ao momento de sua popularização.

E para mim, novato, empolgado com o que via, logo em meu primeiro artigo a respeito, denominei-o como “boom”. Não sei se fui o primeiro a qualifica-lo assim, mas acredito que sim porque entramos no meio, bem no auge, quando não havia ainda a preocupação com o futuro do mesmo, como agora. Na época, chegava a ter, em média, 5 concursos por domingo apenas na Capital e Grande São Paulo. Lembro-me de ter sabido de oito num mesmo dia! Se considerarmos mais de 300 inscritos em cada, que também era a média, mais de 1.500 pessoas cantavam num mesmo dia!

E fui aprendendo que, deles, poderiam participar quaisquer cidadãos brasileiros desde que com músicas japonesas; que existiam entidades cuidando da regulamentação; e, que os cantores tinham de passar por crivo de jurados para ascenderem de categorias. Coisa séria! E tão séria que a consequência natural foi eventos mais grandiosos para elegerem os melhores do estado (Paulistão-UPK) ou do país (Brasileirão-ABRAC), como exemplos.

Agora, a ABRAC (Associação Brasileira da Canção – www.abracbrasil.com.br), resolveu retomar sua versão Internacional, ou seja, a que possibilita participação em outras línguas, excetuando a japonesa, que ocorrerá no dia 25 de outubro, no Park Maeda, ou pesqueiro Maeda, como é mais conhecido.

Toda essa introdução e o título foram apenas para contrapor ao ainda desconhecimento, mesmo de nikkeis, em relação a esse boom (?!) na comunidade. Afirmo isso, baseado em dois exemplos em um: final brasileira da Karaoke World Championships (KWC Brasil) para escolha de representantes brasileiros à finalíssima mundial, em Singapura; e participação de uma única nikkei na final brasileira.

Não que tenha achado pouca a presença de nikkeis nessa final, ao contrário, considerei excepcional a conquista dela, visto que não descendentes costumam ser bem mais soltos nesses tipos de concursos. O que me surpreendeu foi o desconhecimento dela, nikkei, em relação ao que descrevi acima. Agora, ciente disso, mostrou-se interessada em participar também dos da comunidade. Guardem o nome: Camila Midory, vice-campeã dentre as mulheres.

O outro exemplo tem a ver com a argumentação da responsável da KWC ao me procurar para ajuda-la a… divulgar mais o karaokê na comunidade nikkei (?!). De imediato, respondi-lhe que, ao contrário, ela é que se surpreenderia com o quanto o karaokê já está difundido na comunidade. Após algumas visitas a alguns concursos da comunidade, concordou comigo.

Todo esse desconhecimento não teria a ver com a postura introspectiva nikkei?

 

Louváveis são

As ações comunitárias…

Intercambiáveis!!

 

 

SILVIO SANO

SILVIO SANO

é arquiteto, jornalista e escritor.

E-mail: silvio.sano@yahoo.com
www.nikkeypedia.org.br/index.php/Silvio_Sano
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