SILVIO SANO > NIPÔNICA: Intelectuais da esquerda… caviar

A primeira vez que ouvi a expressão esquerda caviar, não a entendi. Fui pesquisar: termo pejorativo originário da língua francesa utilizado para descrever alguém que diz ser socialista, mas que leva vida de luxo e glamour.  Concordei no ato! Explico adiante.

Pois bem. Ao longo de nossas vidas, principalmente nos inícios, sempre criamos certas referências de vida, cada um de acordo com a formação, convivência e gosto. Não fui diferente. Na juventude, meu escritor favorito foi Hermann Hess, de quem, até hoje, adoto muito do que aprendi e apreendi em suas leituras. Mas também continuam em mim os nossos, Drumond, Amado ou Veríssimo, assim como livros marcantes, como Fernão Capelo Gaivota, Eu Robô, Laranja Mecânica, etc.

Em minha profissão, arquitetura, nunca tive Niemeyer como referência, mas Frank Lloyd Wright, Kenzo Tange ou Tadao Ando, que vêm da época de estudante por um debate em classe que me marcou: “A forma segue a função ou a função, a forma?” Sempre fui a favor da primeira e até o adotei como forma de vida. Mas isso é outra história.

Na música (cantada), o que sempre me chama a atenção de imediato é a letra. Por isso, quando estive no Japão pela primeira vez, há 40 anos, e entendia muito pouco o japonês, uma música, que tocava nas rádios, me chamou a atenção pela letra. Então, com muita dificuldade expliquei a um amigo japonês e lhe pedi para que a buscasse para mim, com a letra. Bingo! Era o que imaginava e ainda hoje a canto quando tenho oportunidade. Pouca gente a conhece, mesmo entre nikkeis de minha geração.

Aliás, essa atenção no Japão só me ocorreu porque antes, no Brasil, já curtia vários cantores e compositores, nacionais e internacionais, por suas músicas e letras. Engraçado outra vez, mas nenhum japonês! Platters, Beatles, Dylan, Paul Simon, Luigi Tenco, etc… mas também os nossos: Roberto Carlos, Chico, Caetano, Gil, Vandré, Jobin, Edu Lobo, etc… bem como Vicente Celestino, Lupicínio Rodrigues, etc., que os conheci porque não perdia um “Astros do Disco”. Alguém se lembra?

No cinema, Kubrick, Chaplin, Coppola, Kurozawa, Spielberg, etc., sempre como lembranças inesquecíveis da juventude.

“Mas não podemos misturar as coisas”, com o tempo aprendi. Autor e obra, muitas vezes, não se “batem”! Afirmo isso porque, não consigo deixar de gostar das mesmas letras e músicas que gostei no passado só porque não mais simpatizo com alguns de seus autores, por suas personalidades, agora, afloradas. Provavelmente, se não se manifestassem continuariam meus ídolos.

É onde queria chegar… dentro do escopo, em que alguns dos citados acima, no caso, os brasileiros, agora, são chamados pelo título desta Nipônica porque defendem esse desgoverno e o socialismo, mas não largam o osso do capitalismo. Tem até quem prefira morar em Paris que em Cuba. Até porque se fingindo de cegos pela defesa de uma ideologia utópica (?) são ofuscados pela obviedade do Ao Povo, Pão e Circo adotada por esses governantes… para usufruto próprio. E põe usufruto aí! Né, não?!!

 

Meu caro amigo,

Faço a defesa dos pobres

Aqui de Paris!

 

 

SILVIO SANO

SILVIO SANO

é arquiteto, jornalista e escritor.

E-mail: silvio.sano@yahoo.com
www.nikkeypedia.org.br/index.php/Silvio_Sano
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