SILVIO SANO > NIPÔNICA: O ano que não acabou?!

Quando comecei a escrever, o primeiro título que me veio foi a frase de Ronnie Von, logo após ter se tornado, assim como eu, mais uma vítima dessa incrível violência urbana que assola o país: “Estão acabando com o nosso país!” Mas como estamos às vésperas de o ano se acabar, mudei para este, porque a frase dele é prognóstica e a confusa situação do país está longe de se acabar devido a um Congresso e Judiciário tanto quanto, que nem recesso parlamentar confirmou ainda.

Ou seja, não definiram ainda se o ano, para “eles”, já vai se acabar ou, “patrioticamente” (?!), não mais farão o recesso… “para o bem do país”! Engraçado… não sei por que, mas esta última frase me remeteu à dos extremistas mulçumanos, do “matar em nome de Deus!”

Mas voltando ao caso Ronnie, que é apenas mais um reflexo da postura daqueles que ainda não sabem se terão recesso, e que nem mais chamaria a atenção de tão banalizada que está a violência urbana no país, só o trouxe aqui devido à afirmação dele e por ter complementado não se tratar de desabafo só porque ocorreu com ele. O filho Leonardo, que foi morar nos EUA devido a isso, sempre insiste para que faça o mesmo, no que a mulher, que estava junto no assalto, concorda.

Mas não ele, ainda. ”Não posso sair! O que vou fazer lá fora? É o meu País! Tenho que fazer alguma coisa aqui. Não posso desistir do meu País. Mesmo que eu seja só uma andorinha. Mas vou reunir outras andorinhas”, afirmou.

Também ocorreu comigo, em 1988. Só que saí! No ano seguinte! Foi na condição de dekassegui porque éramos três, mesmo não tendo essa necessidade visto que mal havíamos retornados (os três) de uma estada de dois anos naquele país bancada por mim mesmo. Foi simplesmente pela revolta de ter acabado de vir de um país civilizado e seguro para, logo depois, me confrontar com o que há de pior no nosso. Repare que ocorreu há mais de um quarto de século… e nada mudou nesse aspecto, ao contrário!

E por que retornei, 3,5 anos depois? Pela mesma razão que Ronnie afirma de não querer ir. No

Japão, até que estávamos muito bem devido às minhas três experiências anteriores — bolsista, turista (lua-de-mel), estudante-pesquisador — e, por isso, nem precisávamos retornar, mas faltava algo e tinha minhas dúvidas em relação à melhor preparação ao filho quanto à relação interpessoal. Hoje, estou satisfeito com a personalidade dele e, quanto a mim, principalmente neste ano, sinto-me como uma das andorinhas a que ele se referiu. Não devido a ele, aliás, talvez até muito antes dele, conforme demonstro em meus artigos, porque desde aquela época já percebera isso, razão de passar a escrever as Nipônicas alguns anos após esse último retorno, e para abordar aspectos de cidadania… de lá e cá!

E esta andorinha resolveu ampliar o alcance porque percebeu que a comunidade das andorinhas nipo-brasileiras tem estado mais preocupada em cantar nos galhos e fios a carregar baldes para ajudar a apagar o fogo na floresta. Né, não?!

E pra não me desmentir: Um Feliz Natal e excelente 2016… sem Dilma e sem PT!!

Uma andorinha

Faz verão… com outras mais!

Junte-se a nós!

 

SILVIO SANO

SILVIO SANO

é arquiteto, jornalista e escritor.

E-mail: silvio.sano@yahoo.com
www.nikkeypedia.org.br/index.php/Silvio_Sano
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