SILVIO SANO > NIPÔNICA: O mau exemplo de cima, do STF aos… jurados do karaokê

Os leitores desta Nipônica e os que me acompanham nas redes sociais sabem de meu forte vínculo com o karaokê dentro da comunidade nipo-brasileira e, bem como, de como acompanho a realidade brasileira a ponto de, quando provocado, à minha maneira, cobrar de nossos políticos, nikkeis ou não, e de nossos cidadãos, nikkeis ou não, posturas cidadãs!

Na verdade, esse tema da relação ministros da Justiça e jurados do karaokê abordei há muitos anos, quando já engajado no meio karaokê, pela primeira vez, fiquei chocado com a quantidade de maus exemplos de seus jurados. Na época, fiz a associação ao citar o exemplo de alguns ministros, de certo processo que envolvia uma grande empresa, terem sido contemplados com pacotes turísticos ao Canadá, com tudo pago… por ela!! Indagado a respeito, outro ministro condenara os colegas alegando que, por mais idôneos que se afirmem, na hora do julgamento seriam, sim, “afetados” pela gentileza.

Fi-lo porque o mesmo ocorria a alguns jurados do karaokê, na proporção devida, lógico, e o retomo porque nada parece ter mudado, nem em cima, no STF, e nem embaixo, no karaokê, além de parecer, cada vez, mais banalizado. As razões também não divergem muito. No caso de cima, porque são empossados por indicação da presidência da República, a “bel prazer”, apesar de exigências como, ser brasileiro nato, mais de trinta e cinco e menos setenta e cinco anos, notável saber jurídico, reputação ilibada e aprovado pelo Senado. No caso de baixo, “indicação” também ocorre, mas esperava que, ao menos, o conhecimento de música fosse uma das exigências.

Pois é, se lá, apesar dos altos salários e da condição ad eternum alguns se portam de modo “estranho e indevido”, imagine embaixo que, teoricamente, por se tratar de trabalho colaborativo, recebem apenas um ”agradecimento” (orei), mas têm contato direto com seus julgados?

Posturas inadequadas à posição, sabemos, só ocorrem por culpa de ambos, julgador e julgado… até porque a adequada não depende nem de um e nem do outro, mas do que tem de ser. Simples assim. E que as inadequadas também ocorrem porque seus autores parecem não pensar na repercussão futura.

Senão, vejamos: no caso de cima, mesmo com certa “gratidão”, posto a toga, e por ser da maior instituição judiciária do país, nada deveria ser mais valioso do que gravar bem e para sempre, seu nome à História; no caso debaixo, também!, porque é mais valioso ser bem falado do que mal… nessa comunidade das aparências… rsrs.

E neste caso, daria até para “dar um desconto” quando, num empate técnico, o jurado beneficiar o amigo (ou aquele de quem ganhou um “presente”), mas se fizer o mesmo quando a diferença técnica for discrepante é imperdoável porque acaba prejudicando o outro, principalmente em concursos normais, com apenas três jurados.

A questão do bem ou mal falado é porque, mesmo alguns… “de respeito”, ignoram suas reais considerações no meio, por se esquecerem de que nikkei não costuma “falar” abertamente mesmo atento às formas como julgam. Né, não?!

 

Julgo como quero?

Sim! Como tem de sê-lo

Com imparcialidade!

 

SILVIO SANO

SILVIO SANO

é arquiteto, jornalista e escritor.

E-mail: silvio.sano@yahoo.com
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