SILVIO SANO > NIPÔNICA: O MEIO FAZ O HOMEM

 

A Nipônica nasceu da intenção de se mostrar os diferentes comportamentos dos cidadãos diante de situações semelhantes… em ambientes ou meios diferentes, baseado em minha “bi-óptica”, já que vivi em ambos países, aos quais optei como referências, somado às minhas andanças como mochileiro quando cruzei 15 países do continente americano, em 3 meses e meio, em 1976. Ao Japão ainda fi-lo em “tetra-óptica”… rs: bolsista-estagiário, 1975 (com mordomias… rs); turista, 1980 (lua-de-mel… de 30 dias, só lá!); estudante-pesquisador, 1986/1987 (Univ. Nagoya, conta própria); e, decasségui, 1989/1992 (como tal mesmo!). Esta, aliás, coberto de raiva, visto que, por consequência da violência urbana que… ainda!!… vigi no país, à qual me tornei também estatística, apesar de, hoje, poder afirmar que “há males que vem pra bem”. Ao menos, produzi “Sonhos Que De Cá Segui”… Se bem que, isto é outra história.

Pois bem, como a maioria das seções de colunistas, Nipônica também nasceu sem título e aparecia na página (São Paulo Shimbun, na época) tendo apenas o próprio título do assunto como identificador. Foi assim enquanto estive naquele jornal, até que, por sugestão do redator-chefe, Ernesto Yoshida, para trocar o título do quarto artigo, para O Meio Faz o Homem, porque combinava perfeitamente com o conteúdo do mesmo, resolvi adotá-lo também à coletânea que publiquei no ano seguinte.

Todo esse rodeio foi devido à série especial “Japão, Vivendo no Futuro”, que o Jornal da Band começou a apresentar nesta semana, e que acabou me remetendo ao Meio Faz o Homem, visto que há situações impossíveis de se imaginar que possam ocorrer aqui… no Meio de cá! Aliás, foi a razão de a Nipônica nascer, para tentar explicar ou fazer entender porque cada cidadão se comporta, de modo geral, conforme o que “impõe” o meio em que vive.

Ao mesmo tempo, complementando meu raciocínio, a revista Veja fez uma reportagem com o título: O Paradoxo de Tóquio – como a cidade mais populosa do planeta foi eleita a melhor do mundo para se viver (Mariana Barros, Cidades sem fronteiras), que teria tudo para ser um caos somado a uma coleção de problemas, até porque as duas seguintes mais populosas, Nova Delhi e Xangai, as são… não muito diferentes de São Paulo, nosso Meio.

Daí a razão de que O Meio Faz o Homem. Se bem que, acho, essa coisa de o meio fazer o homem tem também a ver com algo inerente no homem do querer (?) cometer pecadinhos. Né, não?! Por isso contei de meu amigo japonês, quando me visitou no Brasil, ter jogado o maço de cigarro vazio… pela janela do carro!!.. porque aqui podia!!

O “… situações impossíveis de se imaginar que possa ocorrer aqui…” tem a ver com, por exemplo, nossos filhos fazerem faxina nas escolas… o que daria processos às mesmas. Né, não?! Ou perfilarmos adequadamente para recebermos comida mesmo após uma tragédia… ou nossos fumantes pararem de jogar bitucas no chão… ou convivermos com um projeto “buraco zero” em calçadas, ruas e avenidas… ou, etc., etc. Né, não?! Né, não?!

 

Se coisa de berço

O Meio fazer o Homem

Então, a um bom Meio!

 

SILVIO SANO

SILVIO SANO

é arquiteto, jornalista e escritor.

E-mail: silvio.sano@yahoo.com
www.nikkeypedia.org.br/index.php/Silvio_Sano
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