SILVIO SANO > NIPÔNICA: ORGULHO… DO QUÊ?!

Mais uma reportagem, reflexo de nosso país, chamou-me a atenção na semana passada e que me remeteu ao Japão e a países desenvolvidos… se bem que, como também a “aqui dentro” mesmo, por algo muito usado de forma contundente pela presidente-candidata em sua campanha à reeleição!

A reportagem informava que o Brasil acabava de superar o México na confecção de carros blindados e passando a ser, portanto, o líder mundial nesse mercado!! Pode?! Em se tratando de Brasil… A informação é a de que em pouco mais de dez anos, a frota de veículos com proteção balística no país quintuplicou! Atualmente, há mais de 120 mil carros blindados nas mãos de civis, segundo a Abrablin, associação das blindadoras do país.

E por que me remeteu ao Japão? Oras… simples! Não tenho esses dados, mas por ter viajado e vivido naquele país de quatro maneiras diferentes (bolsista-estagiário, lua-de-mel, auto-pesquisador e dekassegui) não duvido que não haja um só carro blindado lá! E aos outros países desenvolvidos porque, não como no Japão, o número desses veículos deve ser muito reduzido e, isso, devido ao clima de terror que ronda em alguns deles.

Até aí tudo bem, mas… “por que à candidata Dilma?”, devem estar pensando muitos dos leitores. Né, não?!  Explico. Minha referência aqui é ao Bolsa-Família!! “Ih?! Piorou…” devem continuar pensando… rsrs. Explico de novo. Tá aí em cima, no título desta Nipônica: Orgulho… do quê?!

Pois bem, como sabemos, brasileiro não gosta de perder em nada, ou melhor, quer ganhar em tudo. Por isso não quer saber de segundo lugar, não dá valor a vice-campeonatos. Lógico que não foi o caso dos blindados, em que era segundo lugar no mundo até há pouco tempo para superar um dos países mais violentos do planeta devido às gangs ligadas ao tráfico de drogas. Mas seria ótimo se permanecêssemos na posição em que estávamos e melhor ainda que fôssemos regredindo com o tempo. Não ao contrário! Deu pra entender?! É o tipo do título que não dá orgulho a ninguém!

Pois é, em campanha, a candidata usou e abusou, com orgulho, da alegação de que “seu” Bolsa-Família beneficiou mais de 14 milhões de famílias (mais de 50 milhões de pessoas) contra a de FHC que contemplara apenas 5 milhões, quando deveria ter feito o contrário, ou seja, orgulhar-se de ter reduzido o número dele. Deve ser porque ela não conhece aquele provérbio chinês do “Antes de dar comida a um mendigo, dá-lhe uma vara e ensina-lhe a pescar”. Né, não?!

Em ambos os casos é possível reverter esses números! Mas a quem interessaria isso? Com certeza, a apenas brasileiros… verdadeiros… que, aí sim, se orgulhariam da redução desses números!

 

Blindar, não resolve

Bolsa-Família também

Mudarmos nós, sim!

 

 

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Silvio Sano

é arquiteto, jornalista e escritor. E-mail: silvio.sano@yahoo.com

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