SILVIO SANO > NIPÔNICA: Por que levei a bandeira japonesa nas manifestações

Considero que já expliquei a razão de ter portado uma bandeira japonesa nas manifestações… e que não me arrependi. Aliás, por que haveria de me arrepender? Agora, confesso que, até mesmo eu, me estranhei portando-a, visto que o que escrevo a respeito e o que sempre converso com amigos indicaria o contrário. Se bem que, se tudo o que fizesse fosse baseado no que falo, também não teria me casado com uma japonesa…  pura mesmo… é, nascida no Japão! No entanto, e até pra fazer média, não só estou bem casado como ainda a chamo de deusa!

Ou seja, para tudo se tem alguma razão que justifique uma ação aparentemente contraditória. Começo por minha deusa. Foi minha primeira namorada, ainda na adolescência num tempo em que meu círculo de amigos era só de descendentes. Depois de três anos “brigamos” e cada um foi para seu lado. Muitos anos depois, ou muitas aventuras “mundo afora” depois… de ambas as partes… rs, em encontro casual, nossos corações voltaram a palpitar. Bonito, né? Bom, o resto não interessa… aqui… rs.

No caso dessa bandeira levada por mim em “lugar estranho” já expliquei, mas como fui abordado a respeito de duas formas diferentes, achei por bem retomá-la e de forma mais “desenhada” a ponto de até incluir minha intimidade, pra não deixar dúvidas.

Uma foi do tipo, “não teve medo de apanhar com uma bandeira vermelha nas mãos?” Para esses, minha resposta foi simples e bem convincente. Respondi-lhes que, primeiro, era branca e vermelha; segundo, levara-a em uma manifestação de pessoas esclarecidas que, tão logo a vissem a reconheceriam, tanto que tiraram muitas fotos minhas, ou quiseram tirar comigo, fora os muitos tapinhas nas costas de agradecimento pelo “apoio”; e, terceiro, que se fosse o contrário, ou seja, eu na manifestação “delles” (PT, MST, black blocs, etc.), pelo vermelho do hinomaru, daí, sim, poderia ser confundido como um “delles”…

A outra foi a de uma advertência de que, por não ser representante do governo japonês, não deveria tê-la levado na manifestação. No que não concordei, já lhe expliquei, mas ainda não tive retorno. E minha explicação, além daquela de que o fiz porque fui militante ferrenho para que a comunidade estivesse presente de forma engajada na manifestação, tal qual no Sambódromo, foi a de que, por ter ciência de que não representava aquele país, simultaneamente, portei uma faixa enorme escrita Brasil, no peito, e na outra mão segurava uma bandeira do Brasil. Até porque, ligado que fui ao Museu da Imigração da Secretaria do Estado da Cultura, a ponto de ser convidado a fazer parte do grupo fundador da Associação de Amigos, ciente de que o país é também composto por mais de 60 nacionalidades imigrantes, dentre as quais asiáticos, nada mais justo que, até para discernimento, portasse a bandeira a fim de deixar claro minha ascendência. Simples assim!

O estranho, aí sim, insisto, é ter sido eu, do jeito que sou, a ter portado a bandeira e não muitas lideranças da comunidade que nem lá apareceram… mas foram na do Carnaval. Né, não?!

 

Uma bandeira só

Não faz verão, é verdade…

Mas fez barulhão!

 

 

SILVIO SANO

SILVIO SANO

é arquiteto, jornalista e escritor.

E-mail: silvio.sano@yahoo.com
www.nikkeypedia.org.br/index.php/Silvio_Sano
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