SILVIO SANO > NIPÔNICA: Tchau, querida… e muitos queridos!

Por culpa de um passado mais para alienação, principalmente no seio da comunidade nipo-brasileira, hábito que não se cura da noite pro dia, desconfio que necessito explicar a razão do título, mesmo no auge das redes sociais e, no caso ainda, de explosão da comunicação devido às manifestações pró e contra o governo atual.

Pois bem, o “Tchau, querida!” é fruto do grampo telefônico, autorizado e tornado público, da conversa entre Lula e a presidente Dilma. O telefone grampeado era de um segurança de Lula para o qual a presidente é quem ligou. Ao final da conversa, sobre um “termo de posse” ao qual Dilma recomendava a Lula que o “utilizasse em caso de necessidade”, pela possível iminência de vir a receber uma “visita japonesa” da Polícia Federal, ele despediu-se dessa forma.

A partir daí tornou-se um dos mais populares memes nas redes sociais do Brasil, assim como nas últimas manifestações à abertura do processo de impeachment da presidente pela Câmara Federal.

Considero que acompanhei bem o processo, desde o pronunciamento de Miguel Reale Jr, um dos autores do pedido, passando pelo advogado geral da União, José Eduardo Cardozo, representantes dos partidos políticos, para finalizar com os votos dos deputados, apesar de não tê-lo assistido em sua plenitude por ter ocorrido em três dias, a ponto de tirar conclusões evidentes.

O que testemunhei, para mim, serviu para consolidar o que já tinha em mente sobre nossos políticos, a maioria, lá, por profissão e não ideologia, razão de seus níveis de formação terem sido revelaados no momento de darem seus votos. “Espero que com o circo de ontem, vocês tenham entendido a importância do voto para eleger um deputado”, era um dos memes, postado nas redes sociais, fazendo referência a isso.

E teve também ao tema que abordei na Nipônica anterior, sobre fanatismo e, novamente, captadas não apenas por mim. Como esta… “Definição de estupidez: conhecer a verdade, ouvir a verdade, ver a verdade, mas ainda assim acreditar na mentira”, que também “catei” nas redes sociais, clara referência aos gritos de “Não vai ter golpe!” por parte dos contrários ao prosseguimento do processo.

E por quê o “acreditar na mentira” está correto e a gritaria não?

Antes de acolher o pedido de impeachment formalizado pelos juristas Miguel Reali Jr e Hélio Bicudo, além da advogada Janaina Paschoal, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, já tinha recusado uma dezena de outros, além de um desses mesmos juristas pela referência à gestão anterior da presidente. Mas tão logo acolheu, recebeu enorme pressão dos petistas que tentou se valer de um suspeito STF, de onde conseguiram refazer a comissão que presidiria o processo, além de determinar o rito do mesmo, contrariando a independência dos poderes. Mas tiveram de reconhecer o teor do pedido, além do que, impeachment está previsto na Constituição, instrumento, aliás, utilizado pelos próprios petistas, por 50 vezes, contra mandatários anteriores.

Ou seja, o correto seria gritarem “Não vai ser golpe! Né, não?!

 

Saber a verdade

Acreditar na mentira

É o quê?! Eu, héim!!

 

SILVIO SANO

SILVIO SANO

é arquiteto, jornalista e escritor.

E-mail: silvio.sano@yahoo.com
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