SILVIO SANO >NIPÔNICA: Terremotos e furacões

Estava para iniciar minha Nipônica desta semana quando ouvi a primeira notícia sobre novo terremoto no México (magnitude 7,1 graus), 12 dias após outro de mesmo nível (8,2 graus) no mesmo país que já provocara consequências trágicas, quase 100 mortos. Dessa vez, enquanto escrevo, apesar de minimamente menos intenso, devido à localização, os mortos ultrapassam 140!

A seguir, noticiário também sobre novo furacão (Maria), no Caribe, de categoria máxima (5), e uma semana após outro (Irma), de mesma categoria e efeito tão devastador quanto, que se deslocara até os EUA, causando vítimas e terríveis estragos por onde passou.

Além da intensidade desses fenômenos da Natureza, o que me chamou a atenção foi o tamanho dos estragos e, consequentemente, o número de vítimas. Isso, porque se trata de ocorrências previsíveis, no caso dos furacões, até de época. Ou seja, não estariam preparados para isso?

Não considero minha pergunta ingênua porque morei no Japão, país também sujeito a ambos, inclusive de mesmas magnitudes e, lá, senti o quanto os japoneses estão preparados e como levam a sério os treinamentos para enfrentamento aos mesmos, razão do número ínfimo de danos e de vítimas quando um dos casos ocorre, atualmente.

Afirmo isso por também ter sentido na pele… ou na lapiseira (?). Quando fui àquele país pela primeira vez, 40 anos atrás, por meio de uma bolsa-estágio, recém-formado em arquitetura, usando como mote para conquista-la o fato de estar trabalhando em empresa de pré-moldados no Brasil, acabei ganhando o direito de estagiar em uma equivalente no Japão.

Após me familiarizar com os componentes da empresa japonesa para projetar, utilizando-os, comecei por residências unifamiliares. Como os exemplos que estudei pareceram-me pequenas “caixas de morar”, para agradar meus coordenadores resolvi ousar mostrando como seria no Brasil.

Gostaram do primeiro, mas me advertiram que era inviável… no Japão. Como assim?!

Levei um choque… até entender a razão: tinha desconsiderado vibrações de terremotos, impactos de furacões e mesmo o peso de neves!

ET: Ao enviar o texto à redação o número de mortos no México já tinha ultrapassado 200!

 

 

SILVIO SANO

SILVIO SANO

é arquiteto, jornalista e escritor.

E-mail: silvio.sano@yahoo.com
www.nikkeypedia.org.br/index.php/Silvio_Sano
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