SILVIO SANO > NIPÔNICA: Vamos nos contagiar! Não vamos desistir do Brasil!

Depois que dois ministros do STF (Teori Zavascki e Rosa Weber) resolveram se intrometer no caminho do primeiro pedido realmente consistente ao impeachment da presidente Dilma, dando a entender que essa ação poderia esfriar o clima criado pelas manifestações de rua, os grupos organizadores resolveram criar outro jargão, “Vamos nos contagiar!”, para se juntar ao “Não vamos desistir do Brasil!”. O grito continua o mesmo: “Impeachment… já”!

A razão, segundo uma das lideranças, é que, como graças às mesmas e às redes sociais, a população, de modo geral, está mais ciente do que realmente está se passando no país e, agora, sabendo quem são os reais causadores, é preciso, pois, fazer com que ela passe a participar de forma mais incisiva e consciente mesmo que em pontos isolados, não apenas nas grandes manifestações, em todos os lugares… e se possível, até todos os dias! Esta é a parte difícil porque sabem que verdadeiros cidadãos são justamente os que trabalham. Mas se isso se transformar, literalmente, num “contágio”, consideram que atingirão também a políticos, ministros do STF e demais instituições implicadas, empurrando-os para que, mais do que todos, cumpram seus papéis de cidadãos brasileiros.

E como estaria se portando a comunidade nikkei, melhor, a comunidade nipo-brasileira em relação a isso, cuja população equivale a cerca de 1% da brasileira, e não a mais de 10%, conforme ouvi um assessor de político nikkei afirmar? Pois é, por isso comecei com essa ilustração.

Independentemente do erro crasso dele (assessor), a verdade é que, devido a uma tradição vinda desde a terra ancestral (no início do século 20, apesar de em crise econômica, o Japão já era quase 100% alfabetizado), os imigrantes japoneses no Brasil sempre deram atenção especial à educação de seus filhos. A consequência foi o respeito adquirido perante a sociedade brasileira, mesmo com o percentual real… rs. O estereótipo, “japonês, garantido, nô?!”, e o jargão, “pra se passar em vestibular há que se matar um japonês”, são provas disso. Grandes conquistas!

O problema foi a acomodação em berço esplêndido, advindo também de outra tradição da terra ancestral, da sociedade das aparências, o status! Ou seja, concentrada nessas conquistas… particulares, economicamente falando, não duvido que a comunidade, daí, sim, contribua com 10% ao país, mas que “cidadaneamente” (politicamente) falando, talvez nem com aquele 1%!! É difícil puxar assunto relativo com um nikkei. Não por ignorância, mas para não se “comprometer”. Por isso, a maioria não se engaja, ocupada em manter o status.

Mesmo com toda essa formação, não perceberam que podem contribuir de maneira eficiente… e sem se “comprometer”, até com um simples ato, isolado e secreto, que é o voto… o voto consciente, que vai se refletir na Educação de seus filhos; na Saúde de sua família; na Segurança… do ir e vir aos seus compromissos (inclusive aos karaokês e lazer de modo geral); bem como na preservação de seus status; etc., mas principalmente ao Brasil. Né, não?!!

Acorde, nikkei!

Há como se engajar

… sem perder status!

 

SILVIO SANO

SILVIO SANO

é arquiteto, jornalista e escritor.

E-mail: silvio.sano@yahoo.com
www.nikkeypedia.org.br/index.php/Silvio_Sano
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