SILVIO SANO: NIPONICA: O FUTURO DO KARAOKÊ

 

Minha convivência com o karaokê é recente se comparado com o início do movimento que até já o denominei como boom em meus artigos, pela enorme repercussão dentro da comunidade. Até o curtia muito. Atento como sempre fui à postura introspectiva do nikkei, vibrava só de ver pessoas tímidas subirem ao palco e procurando dar o melhor de si. “Antes de me apresentar sempre sinto um friozinho na barriga… em compensação, após cantar, sinto-me tão bem!”, contou-me, certa vez, um desses, hoje, fanático pelo karaokê. Mas bem maior foi aos da terceira idade, àqueles que vinham sozinhos, alguns dos quais, com certeza, antes, ficava em casa só esperando os filhos vir busca-los para algum passeio. Agora não mais faziam tanta questão assim já que tinham seus próprios programas… e amigos, muitos amigos, item, aliás, muito explorado politicamente no meio… rsrs.

Mas de uns tempos para cá, apenas por folhear livros-programas, a impressão é de “envelhecimento” de seus participantes pelo sumiço repentino dos jovens (até os 40?) e trazendo preocupação aos organizadores em relação ao futuro do karaokê. Alguns até já sinalizam com sugestões e iniciativas, mas no fim, acabam se restringindo às crianças (tibikko e doyo).

Lógico que há ainda cantores de todas as idades participando, mas até ao principiante perde a graça cantar sozinho ou com um ou dois concorrentes mais. Né, não? Ou seja, é preciso trazer de volta também os jovens, não sem antes identificar as razões pela perda do encanto dos que o frequentavam.

Muitas coisas ouvi, mesmo quando ainda me empolgava com o boom. Assim, quando tive a oportunidade de, com uma extraordinária comissão composta só de amigos de longa data, realizar um taikai, tentamos de imediato aplicar algumas ações que considerávamos ideais para um concurso verdadeiramente… justo!, já que o contrário dava a entender ser a razão maior desse afastamento de simpatizantes da música… enquanto hobby, senão a maior.

Começamos pelos jurados: um de cada região geográfica da cidade (para evitar o tal voto amigo ou regionalista – não resolve, mas minimiza) e não repeti-los em anos seguidos. Conseguimos! E sempre quatro, a fim de garantir o encerramento em horário satisfatório a TODOS!! Nunca passamos das 23h!

Depois, comissão organizadora: não proibimos, mas solicitamos aos participantes dela para que não cantassem. Fomos atendidos! Mas continuamos vendo o contrário e queixas de que não vale a pena participar de alguns devido a isso, inclusive com até coordenadores cantando e, pior, com jurados chancelando-os com boas notas para, oxalá, garantirem convite ao próximo.

E, por fim, rigor no limite de candidatos e na data de encerramento das inscrições. Sempre nos limitamos a 320 (mais 10%) e o conseguimos, mesmo tendo de aguentar até desaforos de recusados.

Não se pretende ser dono da verdade, apenas “esquentar” o debate sobre essa questão realmente preocupante porque se esse boom à introspectiva comunidade nasceu como válvula de escape ao estressado cotidiano, vale a pena, pois, buscar soluções para preservá-lo. Né, não?!!

Tem outra opinião… ou mais sugestões, escreva!

 

Cantar é social.

Até os pássaros sabem

Sem egoísmo…

 

 

 

Silvio Sano

é arquiteto e escritor. E-mail: silviossam@gmail.com

 

 

 

 

 

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