SILVIO SANO: Outra contribuição à nossa Educação

 

Uma reportagem de um noticiário na TV levou-me a escrever este texto. Era sobre uma família que processava uma escola por bullying sofrido pela filha de quando ainda era aluna. Não chamaria bem minha atenção, até porque já abordei a questão aqui, não fosse pela afirmação de um entrevistado, o diretor, de que não sabia para qual escola a aluna e irmãos tinham se transferidos. Foi o que me remeteu, de imediato, ao Japão onde tal afirmação seria impossível de se ouvir, ainda mais partindo de um diretor.

Antes, um breve rodeio. Em minha primeira estada no Japão (2 anos) com a família completa, bem antes do boom dekassegui, devido a um curso extracurricular que cumpri na Universidade de Nagoya, fui contemplado com a primeira grata surpresa relativa ao título desta Nipônica. Aliás, também já escrevi a respeito.

Quando chegamos em Nagoya, nosso filho tinha pouco menos de 6 anos e, por isso, o colocamos em uma pré escola perto de onde morávamos. Antes, porém, por orientação de uma tia, registramos nossa chegada ao bairro na subprefeitura local, uma obrigação a todo cidadão japonês… ou estrangeiro quando se chega a um bairro (ou cidade) para morar, e mesmo ao se mudar.

A menos de 6 meses de se encerrar o ano letivo chegou-nos uma carta da subprefeitura informando-nos de que a partir do próximo ano, pasmem!, nosso filho estaria matriculado em uma tal escola primária do bairro!! E, pasmem de novo!… que era para o levarmos, numa certa data, à escola para… exames médicos!! Não me recordo de ter perguntado a razão, mas concluímos que fosse para o caso de constatarem algum mal, dar tempo de ser tratado a fim de iniciar as aulas em bom estado de saúde.

Pois bem, na segunda estada com a família naquele país, consequência de violência urbana de que fui vítima no Brasil, aproveitando o movimento dekassegui, já que éramos três, fomos parar na província de Shizuoka. Para espanto da agência responsável por nossa ida ao Japão, devido a três experiências anteriores no país (bolsista, lua-de-mel e esse curso em Nagoya), tão logo tivemos endereço fixo, por conta própria, fomos à subprefeitura local para registrarmos nossa chegada e para orientações relativas à escola do filho. De lá fomos à escola. Para nossa surpresa, a diretora já sabia de nossa vinda e tinha todos os dados sobre nosso filho.

Passado meio ano, mudamos de agência e, consequentemente, de endereço e bairro… e, portanto, com nosso filho tendo também de se mudar de escola. Cumprindo a burocracia relativa a ele, no primeiro dia na nova escola, não mais para nossa surpresa, o diretor já nos aguardava e informava que a escola anterior já havia encaminhado os dados necessários para prosseguimento dos estudos dele.

Isso ocorreu há bem mais de 25 anos! Com a tecnologia da informática atual, isso já é bem possível no Brasil, criando um cadastro geral, de forma a se ter um mapa das vagas nas escolas, mas, principalmente, poupando muitas mães das filas, desde as madrugadas, para garantirem as matrículas dos filhos. Né, não?!

 

Filas de matrículas

Todos os anos, mesma coisa!

Vontade política?

 

 

SILVIO SANO

SILVIO SANO

é arquiteto, jornalista e escritor.

E-mail: silvio.sano@yahoo.com
www.nikkeypedia.org.br/index.php/Silvio_Sano
SILVIO SANO

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