SILVIO SANO > NIPÔNICA: Professor Shoiti Shimada

niponica4-19Não se trata de homenagem, mas de reconhecimento pelo que representou ao karaokê nipo-brasileiro, visto que nossa relação estava cortada… por ele. “Assim é fácil falar quando o outro não pode refutar!”, dirão alguns. Mas não é bem assim, conforme entenderão à frente.

O prof. Shimada, pelo carisma, bonachão que era e, principalmente, por sua qualidade técnica como músico e compositor, conquistava logo a admiração dos que passavam a frequentar o meio. Comigo não foi diferente, a ponto de até lhe fazer, na época, a charge que ilustra esta Nipônica. Nem éramos chegados. Soube que perguntara quem a tinha feito e que dissera que o karaokê precisava desse tipo de estímulo. Foi o que nos aproximou.

A respeito da afirmativa acima, de fácil compreensão aos… professores/jurados que também dele se afastaram, mas talvez, até, um alívio a alguns pela dificuldade de explicar isso aos seus alunos, nunca  tornei pública porque a considerava pessoal, apesar de também ter ocorrido com aqueles… professores/jurados. A razão de citá-los é porque era com ele, presidente da Comissão de Jurados da UPK, que tinham contato direto e incisivo. E por saber que com alguns fora por razões ainda mais delicadas, a mim pouco incomodou.

Comigo, foi devido às eleições da UPK, de 2006, e que acabou provocando uma cisão no karaokê. Depois disso até que nos cumprimentávamos, apesar de friamente. Mas um ano depois, num certo taikai, aconteceu. Minha esposa e eu seguíamos por um corredor e, em sentido contrário, vinham ele e uma jurada. Éramos os únicos ali. Como há muito não a víamos, começamos por cumprimentá-la e faríamos o mesmo com ele, por gentileza. Em vez disso, se desviou e seguiu em frente. De imediato, falei à minha esposa: “Viu?! Agora é oficial! Já que não quer nos cumprimentar, vamos atendê-lo!” Foi o que fizemos, desde então.

Aos que acabei contando o incidente, diziam-me para deixar para lá pela alegação de que era idoso e que a culpa era dos que lhe faziam a cabeça. Não concordava, mas estava propenso a ceder se o professor, mesmo dependente daqueles, ao menos, pedisse perdão aos que magoou. E, daí, a história até teria sido outra.

Ou seja, para mim, perdeu enorme chance de se tornar o ícone aglutinador do karaokê nipo-brasileiro, mas ao mesmo tempo reconheço sua importância ao meio, a ponto de até manter comigo um CD com suas composições.

 

São forças externas

Que induzem os mais fracos

Ao rumo errado!

 

 

SILVIO SANO

SILVIO SANO

é arquiteto, jornalista e escritor.

E-mail: silvio.sano@yahoo.com
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