SILVIO SANO > NIPÔNICA: Rio 2016 – A meta não foi alcançada, mas “dobrada”

Pois é… quem mandou estipular meta para medalhas? Apesar do 13º lugar no quadro geral, tanto nas de ouro como no total, se considerarmos que muitos potenciais atletas não vieram (russos pela questão do doping e de outras nacionalidades pelo receio da Zika e da nossa segurança pública), não chegamos nem perto da meta (TopTen)! Até pelo tamanho de nossa delegação! A Grã-Bretanha conquistou um terço de medalhas em relação ao tamanho da sua e o 2º lugar no quadro geral, fruto de planejamento anterior a Londres 2012.

Não se trata de síndrome do pessimismo, mas de toque à realidade… à nossa, apesar dos noticiários, “de lá e cá”, afirmarem que a imagem do Brasil melhorou. Sim, para “eles”! Não apenas porque os jogos se transcorreram de forma normal graças à alta tecnologia atual, como também pelas cerimônias de abertura e encerramento, que foram “impressionantes”.

Também, em tempos de alta tecnologia, recurso suficiente e criatividade brasileira, além do calor humano, provamos que temos capacidade para realizar qualquer tipo de evento e de qualquer proporção. O problema é que… as prioridades eram e continuam outras!! Dos recursos utilizados à Rio 2016, de cerca de R$ 40 bilhões, 57% são originários de empresas privadas e 43% públicos!

Ou seja, se mostramos capacidade para realizar eventos desse porte é porque, com esses mesmos recursos, poderíamos ter melhorado bem as condições de vida do país se os tivéssemos direcionados à Educação, Saúde, Segurança Pública, Saneamento Básico, etc… Né, não?!

Aliás, por nosso potencial de recursos naturais e até manufatureiros ainda podemos realizar esse desejo apenas por uma mudança de atitude: indignação cidadã… manifesta! Porque de nada adianta se revoltar em si, para si! A população, aos poucos, está percebendo isso. Isoladamente também é possível contribuir com o todo pelo voto correto nas eleições, mas coletivamente é mais eficiente, como as recentes manifestações têm comprovado (Impeachment)!!

E porque afirmo isso? Comparem-na com a Copa 2014!! Quantas obras complementares, mas que seriam de enorme utilidade aos cidadãos, aos seus cotidianos, ficaram inacabadas apesar de recursos (públicos!) terem sido gastos nelas? Mas comparem também as cerimônias de abertura e encerramento. Agora, relembrem quando a Operação Lava Jato (Petrolão) deflagrou sua fase ostensiva: março de 2014! Em pleno ano da Copa! Ou seja, as obras até então eram feitas como eram porque parte dos recursos tinham outras destinações, bem entendido. No caso das Olimpíadas, agora cientes dos riscos, “ambas as partes” trataram de fazê-las acontecer com os recursos realmente contratados. Por isso, não querendo insinuar nada, mas já o fazendo, aquelas “impressionantes” cerimônias, agora “vigiadas”, foram contempladas por essa nova relação. Né, não?!

Na Rio 2016 também houve obras não concluídas, como as despoluições da Baía da Guanabara e das Lagoas Rodrigo de Freitas e Jacarepaguá, mas por inviabilidade de tempo já que a Lava Jato só começou em 2014!!

 

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SILVIO SANO

SILVIO SANO

é arquiteto, jornalista e escritor.

E-mail: silvio.sano@yahoo.com
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