SILVIO SANO: São São Paulo, meu amor…?!

Na semana da comemoração do 463º aniversário de Sampa, pensando num tema para expor aqui, involuntariamente fui remetido a um pedido de texto especial, há treze anos e, portanto, para escrever sobre o 450º. Daí recordei-me de que escrevi novamente sobre esta cidade, cinco anos atrás, às véspera de novo aniversário, mas por minha própria iniciativa provocada por uma atitude, à época, do arcebispo Dom Odilo Scherer devido a uma intervenção da PM na Cracolândia. Mas isto, é outra história.

Não achei em meus arquivos, mas sei que, no dia de seu aniversário, a cidade também não me escapou das charges. Até queria anexá-la aqui, mas… rsrs. Nela, desenhei um bolo com uma vela de número correspondente à idade… boiando em meio a alagamentos que tomavam a cidade nessa época. Pois bem, então, será a quarta vez. Sim! Porque é sobre ela que discorrerei a partir de agora, de nossa relação de amor e ódio, afinal, são mais de meio século de convivência, mais precisamente cinquenta e cinco anos.

Na primeira vez, com mais de quarenta anos morando nela, já tinha condições de dar impressões sobre ela e de forma bem embasada. Engraçado, lendo o que escrevi, apesar do já tanto tempo de convivência o que percebi foi uma relação mais de amor. É! Pelo jeito, já gostei muito de Sampa… rsrs.

Ué?! Por quê? Agora, não gosta mais? Até gosto, mas a mim, vejo-a mais com indiferença. Seria devido à idade? Não sei. Mas em qualquer relação, mesmo pessoal, se ambas as partes não se renovar ou não impactar com novidades, isso tende a perigar. Né, não?!… rsrs. No nosso caso, eu com Sampa, garanto que de minha parte tem havido mudanças e preocupações com sempre ser original. Agora, da cidade para mim…

E por que afirmo indiferença? Porque se a de ódio pode ter aumentado, a de raízes continua firme e forte… além da idade… a minha… bem entendido.

No que se refere a raízes, contei bastante lá na primeira, treze anos atrás. Lembranças marcantes da infância de quando aqui cheguei aos 10 anos. Uma delas, se ainda tiver uma chance, quero até tentar recuperar meu “tesouro de pirata”, ainda enterrado no quintal de uma casa onde morei e que está a tantos pés, ou passos de uma goiabeira, e registrado em um mapa com cantos queimados para dar a impressão de velho. Sei que ainda está lá.

Mas tem também o registro do primeiro namoro com a “japa” que está comigo desde aquela época, acredite, até hoje; do filho com ela (e agora, até neto… rsrs); dos livros que publiquei e das árvores que plantei, formando o tripé do… ”realizado” (eu?!); da casa que projetei e moramos nela; etc. Enfim, raízes!!

Agora, dizer que a amo por causa disso tudo vai uma distância muito grande porque, como escrevi na primeira, o “seu Narciso”, um senhor que me adorava quando criança, lá em Fernandópolis, quando soube de nossa mudança para a Capital me “intimidou” sobre os perigos da cidade grande. Isso, portanto, há mais de meio século! Alguma coisa mudou? Pelo contrário!!

Como amá-la, pois? Então… vou levando.

 

Como o país

Poderia ser maravilha!

Potencial, tem!

 

SILVIO SANO

SILVIO SANO

é arquiteto, jornalista e escritor.

E-mail: silvio.sano@yahoo.com
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SILVIO SANO

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