SUMÔ: Participação da Venezuela é considerado um marco para o crescimento do sumô brasileiro; esporte vira febre no país de Hugo Chavez

 

Uma competição como há muito não se via. O 51º Campeonato Brasileiro Masculino, 15º Campeonato Brasileiro Feminino, 17º Campeonato Sul-Americano Masculino e 5º Campeonato Sul-Americano Feminino de Sumô, realizados neste sábado e domingo (21 e 22), no Ginásio de Sumô do Conjunto Esportivo e Cultural Brasil-Japão, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, podem ser considerados um marco na história desta milenar arte marcial japonesa.

O entusiasmo que tomou conta dos dirigentes e que pelo jeito renovou o ânimo dos praticantes tem explicação e atende pelo nome de Venezuela. Como a entrada de um único país, ainda mais sem tradição no esporte, contagiou a todos é uma longa história que, para resumir, só quem acompanha o sumô de perto pode compartilhar.

 

Os lutadores da Venezuela impressionaram os brasileiros (foto: Aldo Shiguti)

 

Nem o sempre comedido presidente da Federação Paulista de Sumô, Oscar Morio Tsuchiya, resistiu. Em entrevista à reportagem do Jornal Nippak, logo após a cerimônia de premiação, ele afirmou que “este Sul-Americano foi um divisor de águas”. “O Campeonato Brasileiro terminou com um saldo extremamente positivo, pois foram selecionados realmente os melhores para o Campeonato Mundial de Hong Kong, que acontece em outubro. Neste aspecto, a competição foi um sucesso também porque houve uma renovação de valores. A Nova Central, por exemplo, teve um desempenho surpreendente, principalmente na categoria feminina, onde obteve a segunda colocação na classificação geral, atrás apenas da equipe campeã, a Sudoeste”, disse Morio, que não economizou elogios para destacar o êxito do Sul-Americano.

“O Sul-Americano foi um sucesso total. A participação da Venezuela foi surpreendente e pode render muitos frutos para o sumô já que a Federação Venezuelana pode desempenhar o papel de ponte com outros países da América do Sul e até mesmo da América Central”, explicou o dirigente, afirmando que esta competição representou “um marco” para o crescimento do sumô brasileiro.

 

Duelo de titas Maria Cedeno x Janaina Silva (foto: Aldo Shiguti)

 

Em entrevista ao Jornal Nippak, o secretário geral da Federação Venezuelana, José Rodrigues, não só comemorou os resultados de seu país como também tratou de informar as boas notícias ao governo venezuelano ainda no ginásio de sumô. “Eles [o governo venezuelano] prometeram intensificar a ajuda à nossa Federação para intensificarmos a preparação dos atletas para o Campeonato Mundial”, comemorou Rodrigues, que trouxe ao Brasil seis atletas, dois dos quais, sagraram-se campeões em suas categorias, os pesados Juan Castro e Maria Cedeño que, aliás, conquistou o título também da categoria absoluto, interrompendo o reinado brasileiro. Por Equipes, o país do presidente Hugo Chavez ficou em segundo no feminino, atrás apenas das brasileiras, desbancando países com mais tradição, como a Argentina.

 

Abel Franco e Jose Rodrigues "O governo venezuelano nos ajuda muito" (foto: Aldo Shiguti)

 

Para o presidente da Federação Paulista de Sumô, “se por um lado o sumô hoje comemora a entrada da Venezuela, por outro serve de alerta para os atletas brasileiros”. “O crescimento deles foi rápido demais. Eles foram convidados para participar do campeonato em novembro do ano passado e já estão praticando um sumô de alto nível”, disse Morio.

A Federação Venezuela, na verdade, foi oficializada somente este ano. O presidente, que também esteve acompanhando a delegação, é Abel Franco, um ex-campeão mundial de sambo (luta russa que utiliza técnicas do judô, jiu-jitsu e da luta livre olímpica), bastante popular na Venezuela.

Segundo Rodrigues, o interesse surgiu através de uma praticante da Argentina. “Ficamos interessados pois, apesar de ser magrinha, ela disse que praticava sumô, um esporte que até então imaginávamos ser para os mais fortinhos”, disse o venezuelano, afirmando que logo após entrou em contato com dirigente brasileiros para ter mais informações.

 

Argentinos e paraguaios também participaram do Sul-Americano ( foto: Aldo Shiguti)

 

 

Sambo – “Hoje, contamos com cerca de 200 praticantes espalhados por cinco estados (Aragua, Falcon, Barinas e Guarico, além da capital Caracas). Quase todos são oriundos do sambo”, explicou Rodrigues, acrescentando que o sumô virou uma “febre” em seu país, pois os venezuelanos adoram lutas de combate.

Segundo ele, a comunidade nikkei na Venezuela conta com cerca de 2 mil descendentes. “Na Federação, temos um representante e contamos com alguns praticantes. Mas a verdade é que o sumô deixou de ser um esporte de japoneses para ganhar o mundo. E ganhou a Venezuela”, disse Rodrigues, que acredita que em dois anos o sumô terá entre 800 e mil praticantes na Venezuela.

 

Os trofeus deste ano (foto: Aldo Shiguti)

 

“Vamos devagar, como deve ser”, observa o dirigente, admitindo que terá que rever seu planejamento. “Nossa meta era atingir o nível dos lutadores do Paraguai e da Argentina em seis anos para então fazer frente ao Brasil. O desempenho dos nossos atletas no Sul-Americano superou nossas expectativas e mostrou que estamos no caminho certo. Agora é intensificarmos nossa preparação para o Mundial”, destacou Rodrigues, que embarcou com outra boa notícia para seu país: em 2014, a Venezuela deve sediar o Sul-Americano.

 

(Aldo Shiguti)

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