SUMÔ: Seleção Brasileira embarca confiante para o Campeonato Mundial em Osaka

Praticamente um mês após brilhar no Campeonato Sul-Americano, realizado na primeira semana de agosto, na colônia de Pirapó, no Paraguai, o sumô brasileiro volta a disputar uma competição internacional. Desta feita, do outro lado do mundo, onde acontece nos dias 29 e 30, em Osaka, no Japão, o 20º Campeonato Mundial, 11º Campeonato Mundial Feminino, 13º Campeonato Mundial Júnior 5º Campeonato Mundial Junior Feminino.

Os atletas que embarcam no próximo dia 24 são: Vitória Trajano da Silva (Juvenil Leve), Sarah Luiza Gomes da Silva (Juvenil Pesado), Manoel Panissa (Juvenil Leve), Yuuki Sato (Juvenil Médio), Victor Camargo Espírito Santo (Juvenil Pesado), Isamu Ramos Sato (Juvenil Absoluto), Luciana Watanabe (Adulto Leve), Fernanda Rojas Pelegrino (Adulto Médio), Ana Claudia Gomes de Souza (Adulto Pesado), Paulo Kubagawa (Adulto Leve), Rui Aparecido de Sá Junior (Adulto Pesado) e Wagner Yoshihiro Higuchi (Adulto Absoluto). Camila Fukushima Vaz, da categoria Juvenil Médio, foi antes da delegação. O técnico é o experiente Fernando Yoshinobu Kuroda, que passou 12 anos no Japão, onde chegou a condição de jyuryô – o primeiro estágio entre os lutadores profissionais do Japão.

 

O técnico Yoshinobu Kuroda (à esq, de terno), com os atletas que disputarão o Mundial no Japão (Foto: Aldo Shiguti)

O técnico Yoshinobu Kuroda (à esq, de terno), com os atletas que disputarão o Mundial no Japão (Foto: Aldo Shiguti)

 

Otimismo – Campeã Sul-Americana nas categorias Pesado e Absoluto, Ana Cláudia Gomes, de 27 anos, participará de seu segundo Mundial. No primeiro, em 2006, também no Japão, conquistou o bronze para o Brasil. Apesar de afirmar que no Mundial “o nível é muito mais elevado do que o Sul-Americano”, a atleta de Salto está confiante. “À medida que evoluímos e melhoramos nossa performance a responsabilidade é maior e o desejo de buscar mais também é maior”, conta Ana, acrescentando que confia no trabalho que vem sendo feito ao longo do ano. “Esse ano tenho conquistado bons resultados. Tive de passar por um processo de seleção para chegar onde cheguei. Acredito que o Brasil possui excelentes atletas e hoje podemos dizer que somos também favoritas. Estamos com Luciana Watanabe e Fernanda Rojas que também fizeram ótima campanha esse ano”, lembra a atleta, que recentemente também sagrou-se campeã Brasileira nas categorias Pesado e Absoluto.

 

Experiência – Para ela, disputar um Mundial no Japão, berço do esporte, já é um sonho para qualquer praticante. Retornar ao palco onde conquistou o bronze, então, terá um gostinho ainda mais especial.  “As expectativas são grandes, principalmente por ser no mesmo local onde conquistei a tão sonhada medalha de um mundial”, diz Ana Gomes, acrescentando que “defender nossa Pátria é uma missão extremamente honrosa, então, sempre queremos fazer o melhor”.

Quem também está bastante ansioso é o paranaense Rui Aparecido de Sá Júnior, que estreou em Mundiais no ano passado, em Taiwan. “Este ano espero uma boa colocação pois treinei  bastante e já tenho experiência de um Mundial. Isso vai me ajudar bastante”, conta Rui. Apontado pelo técnico como uma das esperanças de medalha, Rui afirma que encara a responsabilidade “numa boa”.

“Quanto a isso estou tranquilo e confiante. É uma responsabilidade muito grande representar o Brasil em um Mundial, pois aqui tem excelentes lutadores que gostariam de estar no meu lugar e eu sei que não será fácil”, diz Rui, acrescentando que está se preparando para a competição desde abril. “Treinei muito e aprendi muitas coisas novas, como detalhes técnicos que podem fazer a diferença”, revela o atleta, afirmando que sempre quis conhecer o Japão. “Lutar um Mundial lá será uma experiência incrível. Não vejo a hora de chegar e lutar”, admite Rui.

 

Ansiedade – Uma das mais experientes do grupo, Luciana Watanabe explica que sentir aquele “friozinho na barriga” é natural. “A expectativa é grande, pois estamos treinando firme desde o começo do ano.  Espero estar bem na hora e fazer o meu melhor”, conta Luciana, confidenciando que “quanto mais perto da competição, mais ansiosa eu fico”.

Às vésperas de disputar seu décimo Mundial – já disputou a competição em 2000, 01, 02, 07, 08, 10, 12 e 14, além do World Games (2005, 2009 e 2013) e um Combat Games (2013) – Luciana afirma que seu sonho é ser campeã mundial. “Espero que dê tudo certo, mas essa certeza eu só vou ter lá”, diz a atleta, que já conquistou medalhas de bronze em cinco edições – em 2003 e 2010 por equipes e em 2010, 2012 e 2014 na categoria Leve, além de obter uma segvunda colocação World Games (2013).  “Sei que eu dou o meu melhor a cada dia, e tenho fé que um dia isso vai ocorrer, pelo menos de ano em ano venho melhorando, e sinceramente quero muito que seja agora”, arrisca a atleta, que no início deste mês aumentou sua coleção de medalhas ao sagrar-se campeã Sul-Americana na categoria Leve.

 

Desgaste – Para ela, a proximidade de competições importantes – com o Mundial serão três em menos de dois meses – é desgastante para os atletas porque “alguém pode se machucar e ficar fora de alguma dessas competições, que são as mais importantes do ano”. “No meu caso, foi bom pois consegui lutar bem e não me machucar. E isso me deixou mais motivada para participar do Campeonato Mundial”, explica Luciana, que no último mês firmou uma parceria com a academia Kelly Gimenes de Suzano (SP).

 

Apoio – “Estou fazendo duas aulas de treinamento funcional e uma de pilates por semana, assim ganhando força, alongamento e agilidade. E nos finais de semana treinei técnicas de lutas e assisti muitos vídeos de sumô de campeonatos internacionais dos anos passados”, conta Luciana, explicando que recebeu importantes apoio para poder participar do Mundial.

“Agradeço o apoio da Prefeitura de Suzano, da Secretária de Educação de Suzano que me ajudam a desenvolver o Projeto Lutas como Forma de Educação, na qual ensino sumô para crianças da rede municipal, além de parentes, amigos e pessoas que torcem e nos apóiam nessa arrecadação de verba que fazemos para poder participar do Campeonato Mundial, através de rifas, bingos, almoço, venda de roupas, e doações”, justifica.

(Aldo Shiguti)

 

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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