TÊNIS DE MESA: ATITUDE X RESULTADOS OU DIVISOR DE ÁGUAS?

Butterfly Dohjo Training Center – Tóquio (Japão)

 

Marcos Yamada com participantes do programa de intercâmbio. Foto: Arquivo Pessoal

 

Desde o dia 5 de fevereiro convivendo com 8 jovens atletas (da Costa Rica, Colômbia, Uruguai, Peru, Chile e Brasil) na faixa etária de 12 a 20 anos, com diferentes culturas e educação, podemos observar e aprender bastante com eles.

Como sabemos, a família é a base de tudo: na formação de caráter, postura, conduta, disciplina e, graças a Deus, aqui são todos bons meninos.

Ao chegar em Tóquio, realizamos uma palestra de apresentação do local e depois um mini-curso de como se comportar aqui.

Como temos costumes muitos distintos, aqui o respeito e ser prestativo são atitudes básicas, que para nós, latinos, passam despercebidos e são bem difícieis de aplicar.

O famoso “Ki ga Kiku”, (estar sempre atento para agir e ajudar) tem que ser cobrado constantemente deles – que não tem culpa –, pois não fomos ensinados a colaborar, ficar ligados e pensar no próximo, ou seja, não sermos tão individualistas.

Reparei no grupo que, aqueles com mais atitude, colhem bons resultados. Já os que não são teimosos e tentam mudar, evoluem. Os desorganizados e desatentos é que sofrem mais. Porém, cada um tem seu limite, talvez físico, ou de foco, ou tempo que conseguem ficar atentos. Será que formado em seus lares por serem muito bem cuidados pelos pais corujas, mães dedicadas, irmãos protetores oferecem o que tem de melhor para eles? Atos que eles valorizam ou não? Ajudam a educar corretamente?

Mas aqui eles terão que mudar e ser diferenciados pois a correria do dia a dia de Tóquio fará com que fiquem antenados…. E mais que ser campeão em tênis de mesa, usarão todo aprendizado para o resto da vida.

Após visitar o Japão mais de 80 vezes, aprendi que para conviver bem ou conseguir bons resultados, temos que trabalhar em equipe e a figura do Sempai (capitão) e Kohai (subordinados) é um modelo que deveríamos implantar por onde passarmos, aprendendo com a sabedoria do capitão (preparando para ser um no futuro), servindo-o e atendendo-o, pois seremos protegidos por ele nos momentos difíceis que tivermos que enfrentar em nossas vidas.

Aqui tudo funciona: horários são cumpridos e “ser honesto” – que no Brasil e se transformou numa virtude – aqui é normal, e a palavra “Yakusoku” (promessa) é levada muito a sério.

Estamos num país especial, de tradição, onde fazem tudo pela honra da família – daí termos os históricos Samurais, Kamikases, Hara-kiris, Ninjas, Yakuzas, etc.

São loucos? Mas eles saíram de uma guerra arrasados, sem comida, sem trabalho e sem futuro para se tornar a 2ª potência mundial. Sorte ou atitude ?

 

MARCOS YAMADA

MARCOS YAMADA

Engenheiro e Consultor Especialista em Tenis de Mesa
MARCOS YAMADA

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