TÊNIS DE MESA: Pais de atletas ajudam ou atrapalham a carreira dos filhos?

Em 1975, comecei minha carreira de técnico de tênis de mesa precocemente, ainda menor de idade, no Nippon Country Club. Ou seja, este é o 38º ano de carreira como treinador. Durante esse período, passei por inúmeros clubes, tais como: Nippon, Piratininga, Fuji Film, Acesa e Itaim Keiko, mas atuei também como diretor e consultor em mais um apanhado de agremiações, quando tive contato direto com alunos e pais. Atualmente ensino somente no Itaim Keiko e Piratininga.
Quem já foi técnico sabe que talvez seja mais difícil cuidar desta relação do que ensinar a modalidade, já que inúmeros fatores influenciam para o bom andamento desta tarefa, que vai mais além do que acompanhar seus filhos, e sim prepará-los não somente no esporte, mas também na educação e na vida.

Na foto, Marcos Yamada ladeado pelos filhos, Jeff e Jéssica Yamada, ambos da Seleção Brasileira (Foto: Arquivo Pessoal)

Abdiquei da minha vida de engenheiro e passei a viver somente do tênis de mesa, exemplo que não passo aos alunos, pois o nosso Brasil ainda não tem uma política esportiva para dar tranquilidade para aqueles poucos que se aventuram e buscam ser atletas profissionais.
A cumplicidade que existe entre o técnico e o atleta às s vezes é bem vista pelos pais, já que ele tem muito mais contato, praticamente diário com o aluno, e passa a ter credibilidade e respeito, através do comprometimento e os resultados do treinamento.
Por isso, o técnico além de estudar a parte tática e a ciência do esporte, precisa se aperfeiçoar no estudo das relações familiares entre o atleta e pais, fazendo os seguintes questionamentos:

  • Filho único, mais velho, mais novo ou temporão e quantos irmãos;
  • Profissão dos pais e se são casados, separados, 1º ou 2º casamento;
  • Condição socioeconômica; escola em que estuda (particular ou pública)ou não estuda;
  • Freqüenta cursos extra-curriculares (tipo inglês, kumon, natação, etc);
  • Local onde mora, com quem, cidade onde nasceu;
  • Pratica outro esporte em paralelo ou alguma atividade artística;
  • O pai jogou, joga tênis de mesa ou nunca fez esporte.

Através destes questionamentos, você já poderá traçar um plano para saber como abordar os pais, sem que seus atos interfiram no relacionamento familiar, caso ele tenha chance de ser um campeão.
Porém, mesmo com todas estas informações, por se tratar de seres humanos, a estratégia poderá falhar, pois temos vários tipos de pais:

  • Pais ausentes (não acompanham os filhos nos treinos nem nas competições);
  • Aqueles que apóiam os filhos no esporte ou não (materiais, torneios, viagens);
  • Pais presentes que não opinam ou que interferem na parte técnica;
  • Cobradores de resultados, questiona porque perdeu, interferindo no emocional do filhos;
  • Pais colaboradores que ajudam nos eventos da equipe e do clube; Ingressam na Diretoria do clube ou da federação para poder ajudar mais;
  • Pais protecionistas, egoístas e questionadores que querem escalar seu filho na equipe a todo custo, sem pensar no grupo.

Se você e um pai de atleta, em qual situação se encaixaria?
O ideal para nós, treinadores, seria o pai presente, que participa com o filho ativamente, sempre o apoiando em tudo, isto é, nas vitórias e nas derrotas, porém sabendo que ele se encontra em boas mãos na parte técnica e educacional, portanto, sem interferir em hipótese alguma na sua evolução e no rendimento nas competições.
*Marcos Yamada, pai, técnico e consultor especialista em tênis de mesa

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