TOKYO 2020: Novamente olímpicos, beisebol e softbol esperam por dias melhores

Com a inclusão do beisebol e do softbol no programa olímpico dos Jogos de 2020, que serão realizados em Tóquio, no Japão, a Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol (CBBS) espera por dias melhores. “Como fazemos parte da WBSC – World Baseball Softball Confederation – já sabíamos que as duas modalidades retornariam em 2020”, disse o presidnete da entidade, Jorge Otsuka, lembrando que o beisebol fez parte das Olimpíadas entre 1992 e 2008 enquanto o softbol ficou com memso status entre 1996 e 2008.

 

Novamente olímpicos, beisebol e softbol esperam por dias melhores. Foto: divulgação.

Novamente olímpicos, beisebol e softbol
esperam por dias melhores. Foto: divulgação.

 

“Mais do que  uma aspiração, a volta tanto do beisebol como o softbol no programa olímpico era um sonho antigo de todos nós, dirigentes, e também de todos os atletas, que sonham participar de uma Olimpíada. E é esse sonho que faz com que os atletas continuem praticando”, explica Otsuka, lembrando que a criação de uma entidade única, no caso a WBSC, foi uma das exigências do COI (Comitê Olímpico Internacional).

Para o dirigente, sem o status olímpico, o beisebol brasileiro sobreviveu graças ao trabalho de abnegados. Segundo ele, sem verba do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), o papel da CBBS se restringe praticamente a organizar competições nacionais e eventualmente compra de bolas. “Hoje não temos nada”, diz, lembrando que até 2007, nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, a entidade ainda recebia repasse de 0,5% por ano da loteria federal via COB.

“Isso representava entre R$ 250 e R$ 300 mil por ano. Ainda era pouco, mas para quem não tinha nada já ajudava bastante”, conta Otsuka, lembrando que as viagens das seleções são bancadas pelos pais e pelos próprios atletas.

Segundo ele, “outra luz” que ajudou a clarear o caminho da CBBS na “era das cavernas”, foi o programa Bolsa Atleta, do Ministério do Esporte – que beneficia cerca de 400 atletas – e a ajuda da Major League Baseball (MLB), que envia materiais esportivos e também contribui financeiramente com cerca de US$ 10 mil por ano. “Dava para pagar a vinda de técnicos estrangeiros e o lanche dos atletas”, conta Otsuka, acrescentando que Yan Gomes, do Cleveland Indians, e Paulo Orlando, do Kansas City Royals – ambas equipes da MLB – também ajudam a entidade com doações de materiais esportivos.

 

O presidente da CBBS, Jorge Otsuka: “Sonho de todos nós”. Foto: divulgação.

O presidente da CBBS, Jorge Otsuka: “Sonho de todos nós”. Foto: divulgação.

 

Projetos – Agora, com o retorno das modalidades nos Jogos a CBBS deve voltar a receber o repasse do COB,  atualmente entre R$ 400 e R$ 450 mil por ano. De acordo com o dirigente, a verba já tem destino certo. “Cada porcentagem é aplicada nos projetos da Confederação”, assegura Otsuka, que espera assim retomar o crescimento do beisebol/softbol.

“Vamos voltar a trabalhar para fortalecer a base em cidades que antes eram consideradas celeiros, como Bastos, Adamantina, Guararapes e Presidente Prudente e onde hoje o beisebol e o softbol praticamente estão desaparecendo”, revela Otsuka, explicando que a MLB também mantém um projeto para disseminar o esporte em centros  como Recife (PE), Fortaleza (CE), Salvador (BA), Rio de Janeiro e Natal (RN). “São projetos em parceria com a Confederação e que contam com apoio das Prefeituras locais”, destaca o dirigente, lembrando que o surgimento de ligas independentes “é sempre bom para a entidade”.

“Apesar de a maioria ser formada por ex-atletas e pessoas que nunca jogaram e não visarem a formação de atletas de alto rendimento, a visibilidade sempre acaba contribuindo”, pondera Otsuka, afirmando que o beisebol nacional evoluiu após participar pela primeira vez do Clássico Mundial de Beisebol (WBC), em 2013, competição que acontece a cada quatro anos.

Em setembro, a seleção brasileira iniciará a caminhada para tentar disputar a competição pela segunda vez. O Brasil está na qualificatória 4, com Grã-Bretanha, Israel e Paquistão. Apenas o campeão se classifica para a fase final do torneio em 2017, nos Estados Unidos.

Já o percurso para os Jogos Olímpicos é ainda mais complicado.

 

Modalidade, que fez parte do programa olímpico de 1992 a 2008, retornará nos Jogos de 2020. Foto: divulgação.

Modalidade, que fez parte do programa olímpico de 1992 a 2008, retornará nos Jogos de 2020. Foto: divulgação.

 

Vaga olímpica – O Pré-Olímpico das Américas é considerado o mais difícil por reunir a nata do beisebol mundial. É o Continente que reúne os Estados Unidos, Cuba, Venezuela, México, Porto Rico, República Dominicana… E são apenas três vagas em jogo. Para tornar o caminho menos espinhoso, a CBBS luta por mudanças na distribuição de vagas. A ideia é para que seja uma vaga para a América do Sul – onde o Brasil fica atrás apenas da Venezuela – uma para a América do Norte e outra para o Centro e Caribe.

“Esperamos que a inclusão realmente traga novos ânimos”, diz Otsuka, lembrando que, “mesmo com todas as dificuldades, por mais surpreendente que possa parecer, o Brasil ainda aparece no ranking como a 14ª melhor seleção do mundo, e a única entre as 16 onde o esporte ainda é amador.

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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