TRADIÇÃO: 46º Moti Tsuki Matsuri encerra as atividades no Bairro Oriental

27Em time que está ganhando não se mexe. Principalmente se a época é de crise. Assim, apesar das dificuldades, o Moti Tsuki Matsuri – que este ano chega a sua 46ª edição – está garantido. Afinal, trata-se de um dos principais eventos realizados pela Acal (Associação Cultural e Assistencial da Liberdade)  no decorrer do ano e que marca o fim das atividades no Bairro Oriental. Com apoio das principais entidades nipo-brasileiras, entre elas o Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil), Enkyo (Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo) e Aliança Cultural Brasil-Japão, o evento acontece sempre no último dia do ano, na Praça da Liberdade, não por acaso um dos principais cartões postais da cidade de São Paulo, e costuma reunir uma multidão desde as primeiras horas da manhã.

 

Com Moti Tsuki Matsuri, Bairro Oriental se despede de 2016 e celebra 2017. Foto: Jiro Mochizuki

 

A fila para receber os saquinhos do bolinho da prosperidade começa a se formar bem cedinho, por volta das 6 horas. Este ano, segundo o presidente da Acal, Hirofumi Ikesaki, a previsão é distribuir cerca de 20 mil saquinhos contendo dois motis cada um, sendo um branco e um vermelho, simbolizando paz e prosperidade.

 

Evento termina na Acal. Foto: Jiro Mochizuki

 

Ikesaki explica que a crise que afeta o país não poupou nem mesmo costumes tradicionais. O Moti Tsuki Matsuri é uma tradição milenar japonesa realizada no 31 de dezembro – daí a explicação para o encerramento que geralmente acontece por volta do meio-dia, coincidindo com a virada do ano no Japão – e tem como objetivos, além de comemorar a passagem do ano, agradecer aos Deuses todas as dádivas e benefícios recebidos durante o ano, abençoando a prosperidade e fartura do ano que está terminando, desejando muita saúde, paz e harmonia.

 

Autoridades e convidados participam do Moti Tsuki Matsuri que acontece no dia 31 de dezembro. Foto: Jiro Mochizuki

 

Gratidão – A ideia também é divulgar o Bairro Oriental. “A gente procura caprichar o máximo, mas, diante dessa crise, o esforço é mesmo no sentido de fazer com que uma tradição tão importante como essa seja realizada”, conta Ikesaki, acrescentando que, “se 2015 já foi difícil para o comércio da região, este ano ano foi particularmente ruim”.

“O nosso espírito é o de tentar amenizar os efeitos da crise. Por isso, tentamos mexer o mínimo na organização”, explica o empresário, afirmando que uma das dificuldades foi quanto a aquisição do motigome (arroz especial japonês, próprio para o prepraro do moti), que, segundo Ikesaki, “subiu muito”. “Um saco com 60 kg, que em média dá pra fazer  cerca de 1500 bolinhos, estava custando aproximadamente R$ 480,00. Este ano subiu para R$ 600,00”, diz Ikesaki, acrescentando que este ano devem ser usados cerca de 35 sacos com 60 kg cada um.

Apesar das dificuldades, Ikesaki destaca que o espírito de solidariedade dos voluntários “não tem preço”. “É muito gratificante ver que todos se empenham com afinco para que o evento dê certo. Os praticantes de rádio taissô, por exemplo, se mobilizam já no dia 30 de dezembro após a ginástica matinal para fazer o empacotamento. Também temos consciência que, para as famílias japonesas, a virada do ano é muito especial, e assim mesmo muitos deixam seus afazeres em casa para vir ajudar”, diz Ikesaki, que espera um público entre 30 e 50 mil pessoas.

 

Voluntários colocam a mão na massa. Foto: Jiro Mochizuki

 

As atividades do 46º Moti Tsuki Matsuri tem início no sábado, dia 31, às 8h com a distribuição de cerca de 20 mil saquinhos do bolinho da prosperidade contendo dois motis cada um, sendo um branco e um vermelho, simbolizando paz e felicidade.

Às 9h30 está programada a abertura oficial e em seguida apresentação de taiko com o grupo Tenryuu Wadaiko, de São Miguel Paulista, e uma cerimônia xintoísta com o reverendo Kazuo Osaka.

Por volta das 10h30 haverá demonstração da fabricação e confecção de motis com a participação de autoridades e convidados e simultaneamente a distribuição de motis gratuitamente a todos os participantes e ao público em geral.

 

Taiko marca presença no último dia do ano na praça da Liberdade. Foto: Jiro Mochizuki

 

Ozooni: “sopa da sorte”. Foto: divulgação

Ozooni – Os visitantes também são convidados a participar de uma festa de confraternização nas tendas instaladas na Praça da Liberdade, com capacidade para 3 mil pessoas, que receberão o ozooni (sopa de moti), um prato imprescindível na celebração do Oshogatsu.

De acordo com a tradição, quem come a iguaria no oshogatsu terá vida longa e felicidade pois o ozooni afasta todos males e traz prosperidade para dentro, transformando-os em melhores acontecimentos para o Novo Ano.

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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