TRAVESSIAS EM CONFLITO: Leitura Dramatizada de TOCA DE CUPINS de Yukio Mishima

Yukio Mishima

Texto inédito, escrito em 1955, inspirado na estadia do autor no país, numa fazenda em Lins, no interior paulista.

Sinopse: Um casal de nobres decadentes vem ao Brasil, adotados como herdeiros de uma fazenda de café. Aqui, os dois se envolvem com um casal de empregados, numa relação cruel e trágica. A degradação dos casais é vista através da metáfora de forças destrutivas dos cupins.

 

A leitura dramatizada é parte do projeto Travessias em Conflito – O lado B da imigração japonesa no Brasil. O projeto consiste em: ciclo de palestras, filmes e debates; leituras dramatizadas e apresentação de peças teatrais com foco nas questões e conflitos vividos pelos imigrantes japoneses e seus descendentes no país. Outros olhares e perspectivas sobre a experiência dos nikkeis no Brasil e dos dekasseguis no Japão apresentados por pesquisadores, cineastas, dramaturgos e pelo testemunho dos protagonistas dessas histórias.

Acompanhe a programação e outras informações sobre o projeto no blog: http://travessiasemconflito.com.br.

 

Com a participação de: Ulisses Sakurai, Eda Nagayama, Ricardo Oshiro, Keila Fuke, Rogerio Nagai e Henrique Kimura. Participação especial dos músicos Paulo Dias e Renato Ihu.

Tradução, adaptação e direção: Alice K.

 

 

SERVIÇO

Leitura Dramatizada de TOCA DE CUPINS de Yukio Mishima

Quando: 10 de outubro às 20h.

Onde: Centro Cultural Hiroshima

Rua Tamandaré, 800, Liberdade (estação São Joaquim)

Estacionamento no local

Entrada franca (retirar senha 1 hora antes das atividades)

 

 

 

Raio X

 

Yukio Mishima  é o nome artístico utilizado por Kimitake Hiraoka, novelista e dramaturgo japonês mundialmente conhecido por romances como O Templo do Pavilhão Dourado (金閣寺 Kinkaku-ji) e Cores Proibidas (禁色 Kinjiki). Escreveu mais de 40 novelas, poemas, ensaios e peças modernas de teatro Kabuki e Nô.

Teve uma infância problemática marcada por eventos que mais tarde influenciariam fortemente a sua literatura. Ainda criança foi separado dos seus pais e passou a viver com a avó paterna, uma aristocrata ainda ligada à Era Tokugawa. A avó mal deixava a criança sair de sua vista, de forma que Kimitake teve uma infância isolada. Muitos biógrafos de Mishima acreditam emergir desta época seu interesse pelo Kabuki e sua obsessão pelo tema da morte.

Aos doze anos Kimitake voltou a viver com os pais e começou a escrever suas primeiras histórias. Matriculou-se num colégio de elite em Tóquio. Seis anos depois, publicou numa revista literária um conto que posteriormente foi editado em livro. Seu pai, um funcionário burocrático do governo, era totalmente contra suas pretensões literárias. Nessa época adoptou o pseudónimo Yukio Mishima, em parte para ocultar seus trabalhos literários do conhecimento paterno. Foi recrutado pelas forças japonesas durante a Segunda Guerra Mundial, porém ficou fora das linhas de frente por motivos físicos e de saúde. Este facto tornou-se depois factor de grande remorso para Mishima que testemunhou a morte de seus compatriotas e perdeu a oportunidade de ter uma morte heróica. Forçado pelo pai, matriculou-se na Universidade de Tóquio onde formou-se em direito. Após a graduação conseguiu um emprego promissor no Ministério das Finanças. No entanto, tornou-se tão desgostoso que, por fim, convenceu o pai a aceitar a sua carreira literária. Seu pai, um sujeito rude e disciplinador, teria dito que, já que era para ser escritor, era melhor ele se tornar o melhor escritor que o Japão já viu.

Início da carreira literária – Mishima tinha 24 anos quando publicou Confissões de Uma Máscara (仮面の告白 Kamen no Kokuhaku), uma história com sabores autobiográficos de um jovem talento homossexual que precisa se esconder atrás de uma máscara para evitar a sociedade. O romance acabou alcançando um tremendo sucesso literário, o que levou Mishima a um estado de celebridade e seguiu a outras publicações e traduções, de forma a ficar internacionalmente conhecido. Yukio Mishima concorreu a três Prêmios Nobel de literatura, sendo o último deles concedido a seu amigo, Yasunari Kawabata, que o introduziu aos círculos literários de Tóquio nos anos 40.

Depois da publicação de Confissões de Uma Máscara, Mishima adquire uma postura mais realista e activa, tentando deixar para trás o jovem frágil e obsessivo. Começa a praticar artes marciais e se alista no Exército de Auto-Defesa japonês, onde, um ano depois, forma o Tatenokai (Sociedade da Armadura), uma entidade de extrema direita composta de jovens estudantes de artes marciais que estudavam o Bushido sob a disciplina e tutela de Mishima. Casou-se em 1958 com Yoko Sugiyama, tendo com ela um filho e uma filha. Nos últimos dez anos de sua vida, actuou como actor em filmes e co-dirigiu uma adaptação de uma de suas histórias.

Em 25 de Novembro de 1970, Yukio Mishima, acompanhado de 4 membros do Tatenokai, renderam o comandante do quartel general das Forças de Auto-Defesa japonesas em Tóquio. Ele realizou um discurso patriótico na tentativa de persuadir os soldados do quartel a restituírem ao Imperador os seus poderes. Notando a indiferença dos soldados, Yukio Mishima cometeu seppuku, sendo assistido por Hiroyasu Koga, uma vez que Masakatsu Morita, seu amante, falhou no momento final.

“A vida humana é finite mas eu gostaria de viver para sempre”, escreveu Mishima na manhã antes da sua morte.

Acredita-se que Mishima tenha preparado seu suicídio por um ano. Segundo John Nathan, seu biógrafo, tradutor e amigo, ele teria criado este cenário apenas como pretexto para o suicídio ritual com o qual sempre sonhou. Quando morreu, Mishima tinha acabado de escrever O Mar da Fertilidade (豊穣の海 Hōjō no Umi).

 

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