Um ano depois, vítimas de tsunami do Japão lutam para voltar à vida normal

Quem chega a Iwaki, uma das cidades destruídas pelo tsunami que devastou o Japão no ano passado percebe uma aparente normalidade, embora as marcas do desastre, que deixou mais de 15 mil mortos, ainda estejam lá.

Quando um morador é abordado, o olhar distante e a fala embargada denunciam que um ano foi pouco tempo para que estas vítimas pudessem esquecer uma das maiores tragédias naturais já vividas pelo país. Segundo uma pesquisa feita pelo jornal Nikkei, cerca de 60% dos 37 prefeitos de cidades e vilas japonesas ouvidos disseram que a retomada das atividades normais ainda é muito lenta.

 

Foto: BBC

O tosador de cães Nobuchika Kimura tenta retomar clientela após tsunami

 

Keiko Katayama, de 67 anos, confirmou à BBC Brasil que a família não consegue levar uma vida normal. “Meus netos choram por qualquer motivo e morrem de medo de chegar perto do mar. Meu filho não consegue trabalho, gastamos grande parte das nossas poupanças e não sabemos o que será do futuro”, desabafou.

Pouca oferta de trabalho, problemas de moradia e dificuldade para frequentar escolas – as crianças foram obrigadas a ir estudar em cidades ou bairros distantes – são as principais dificuldades enfrentadas pela população.

A questão da reconstrução das casas é um dos assuntos que provocam discussões nas reuniões com as autoridades. Até agora, em muitas vilas, não sabe se será possível reconstruir as residências nas áreas próximas ao mar. Por isto, muitos resolveram se mudar para outras regiões e as autoridades temem que, com o tempo, as cidades percam ainda mais moradores.

A enquete encomendada pelo Nikkei apontou que as 37 localidades pesquisadas perderam cerca de 50 mil pessoas, entre os mortos e os que se mudaram. Antes da tragédia, a população total destas cidades e vilas era de 2,48 milhões de pessoas.

Sem trabalho

O tosador de cães Nobuchika Kimura, de Iwaki (província de Fukushima), é um dos que pensou em levar a esposa e duas filhas adolescentes para outra província e recomeçar a vida. Além de perder muitos amigos, vítimas da onda gigante, ele viu também seu negócio praticamente acabar. “Mas consegui um bico num restaurante, único tipo de comércio que não foi afetado por aqui”, contou à BBC Brasil.

Kimura calcula um prejuízo de cerca de R$ 20 mil reais no seu rendimento anual. “E ainda vai levar um tempo para as coisas se normalizarem”, afirmou o japonês, que foi obrigado a buscar clientes em cidades vizinhas.

Outra pesquisa, feita pelo jornal Yomiuri, mostrou que de 27.149 pequenos e médios empreendimentos localizados nas províncias de Miyagi, Iwate e Fukushima, 22% (5.947) fecharam temporariamente ou permanentemente suas portas. Os setores de pesca e agricultura foram os mais afetados e muitos empresários ainda não sabem quando vão poder retomar as atividades.

O próximo domingo (11), marca um ano do terremoto seguido de um tsunami e de uma crise nuclear que devastaram parte do país. A tripla tragédia, segundo dados da polícia japonesa, deixou um saldo de 15.853 pessoas mortas – maior perda de vida num desastre no Japão desde a Segunda Guerra Mundial. Outras 3.283 pessoas foram dadas como desaparecidas.

 

Foto: BBC

Em Iwate, bairros inteiros foram destruídos e ainda não se sabe se os moradores poderão reconstruir casas

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