UM NOVO OLHAR SOBRE O JAPÃO: Para Kengo Kuma, Japan House São Paulo deve ser ‘a mais impactante’ entre as instalações

Com inauguração prevista para o mês de maio, a Japan House São Paulo – uma iniciativa do governo japonês que promete trazer a São Paulo um novo olhar sobre o Japão contemporâneo – deve ser “mais impactante” que as outras duas instalações que estão sendo construídas, em Londres e em Los Angeles. Pelo menos é que garante o consagrado arquiteto japonês Kengo Kuma, que assina o projeto localizado no número 52 da Avenida Paulista.

 

A presidente da Japan House São Paulo, Ângela Hirata, com o arquiteto Kengo Kuma. Foto: Jiro Mochizuki

 

Durante sua passagem relâmpago pela capital paulista – ele chegou na segunda-feira e retornou no dia seguinte Kuma explicou que viu apenas a “ideia” de como serão as outras duas instalações. “Não foi porque eu fiz, mas posso garantir que aqui está melhor e será a mais impactante das três”, frisou o arquiteto, que também assina o projeto da construção do Estádio Olímpico Nacional de Tóquio 2020.

Segundo ele, a Japan House São Paulo será uma “referência” porque tanto a de Londres como a de Los Angeles não terão fachadas. Los Angeles, aliás, ocupará dois endereços, segundo o arquiteto.

 

O arquiteto japonês Kengo Kuma esteve no Brasil esta semana… Foto: Jiro Mochizuki

 

Indagado pela reportagem do Jornal Nippak se aprovou sua primeira obra em São Paulo, Kengo Kuma disse que o resultado era o que esperava.

“A fachada se encaixou muito bem com a Avenida Paulista. Isso também se deve ao fato de São Paulo ser muito receptiva e proporcionar esta harmonia”, explicou Kuma, lembrando que esteve pela primeira vez na capital paulista há 30 anos. “Tive oportunidade de conhecer a cidade e fiquei muito feliz quando recebi o convite do governo japonês”, destacou o arquiteto, que veio basicamente supervisionar a fachada e as obras do segundo andar.

Segundo Kuma a proposta é mostrar, simbolicamente,  a cooperação entre os dois países através do uso de materiais japoneses e brasileiros. “Foi um desafio por se tratar de detalhes que não existe no Japão e fiquei muito satisfeito com o resultado”, avaliou, afirmando que a ideia é transmitir o conceito de Japão moderno e, ao mesmo tempo, do Japão tradicional.

Apresentada “oficialmente” no último dia 24 com direito a cerimônia xintoísta Jyouto-shiki e que contou com a presença do presidente honorário da Japan House São Paulo, o ex-ministro da Fazenda Rubens Ricupero, a fachada, que utiliza a técnica de encaixe – que dispensa o uso de pregos e parafusos – apresenta uma cortina de finas varas da madeira hinoki, trabalhadas por cinco artesãos japoneses da Construtura Nakashima — a mesma empresa que desde 1988 é responsável pelo trabalho de restauro do Pavilhão Japonês, no Parque do Ibirapuera (zona Sul de São Paulo).

 

… para supervisionar a fachada da Japan House São Paulo, Foto: Jiro Mochizuki

 

Pichação – O hinoki lembra o cipreste e é muito apreciado na arquitetura tradicional do Japão —, em diálogo com uma parede de cobogós, os pequenos blocos vazados de concreto que são elemento comum na arquitetura modernista brasileira.

O aroma da madeira e o jogo cambiante da luz do dia sobre os elementos da fachada vão se somar para fazer um contraponto de serenidade à agitação urbana. Jardins de bambus, uma planta ao mesmo tempo japonesa e brasileira, circundarão o prédio.

Para Kuma, nem mesmo o histórico da Avenida Paulista, de ser palco de grandes manifestações, chega a preocupar. Segundo ele, a parte externa receberá um tratamento “anti-pichação” que possibilita uma limpeza imediata. Quanto a eventuais riscos de depredação, sua equipe também afirmou que não haverá problemas para o conjunto da obra caso uma ou outra peça sejam danificadas.

De acordo com o material de apresentação, a Japan House pretende ser não apenas um novo ponto de exclamação arquitetônico na Paulista, mas também um espaço de encontro e convivência capaz de atrair tanto o passante casual quanto o visitante assíduo, interessado em acompanhar sua programação de mostras e atividades.

 

segundo ele, “deve ser a mais impactante” das três instalações. Foto: Jiro Mochizuki

 

Exposição e Taro Aso – Quando abrir suas portas para o público, a Japan House São Paulo deve oferecer diversas atividades, como exposições, palestras, seminários, eventos culturais e performances, além de abrigar um restaurante dedicado à gastronomia japonesa, loja de produtos de alta qualidade made in Japan e uma biblioteca, que terá anexo um café.

Quem deve ganhar uma exposição na instalação, em julho deste ano, é o próprio Kengo Kuma, que deve retornar ao Brasil para a inauguração da Japan House. O vice-primeiro ministro Taro Aso deve ser o representante do governo japonês.

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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