VIOLÊNCIA: Vítima de violência, nikkei desabafa: ‘Não somos nós que devemos ficar presos dentro de casa’

A médica veterinária Rika Yamane, de 39 anos, passou momentos de terror no último dia 29, quando foi assaltada e violentamente agredida na Praia do Futuro, em Fortaleza (CE). Natural de Quioto, no Japão, Rika Yamane mora atualmente em Curitiba (PR), onde está radicada desde 2002. Em entrevista ao Jornal Nippak, ela disse que estava em Fortaleza desde o dia 27 para participar de um aniversário e descansar. O crime aconteceu por volta das 9h30 da última sexta-feira. O horário, aliás, ela faz questão de deixar bem claro “pois tem muita gente dizendo que foi à noite, o que também não justificaria”.

 

“O problema não é Fortaleza. O problema é a impunidade no país” (Foto: reprodução facebook)

“O problema não é Fortaleza. O problema é a impunidade no país” (Foto: reprodução facebook)

 

No sábado (30), ela relatou a agressão em sua página no Facebook. “Eu estava correndo pelo calçadão da praia do Futuro, um dos principais pontos turísticos de Fortaleza, da mesma forma que para onde quer que eu viaje sempre dou uma corridinha. Quando percebi que estava ficando meio deserto, virei para voltar pelo mesmo caminho. Não deu tempo de correr nem 50 metros, fui atacada pelas costas, primeiro com uma paulada na cabeça e vários socos e joelhadas na cara. Juntei todas as minha forças, foquei em fugir e comecei a gritar o mais alto que conseguia e a dar cotoveladas e socos”, conta ela, lembrando que “isso o deixou mais irritado e ele me bateu mais algumas vezes”. “Continuei gritando e me mexendo e batendo de todas as formas que conseguia”, relatou ela, acrescentando que acertou várias cotoveladas em seu agressor para não sofrer abuso sexual. Segundo a médica, a agressão foi vista por várias pessoas, mas “fui ignorada”. “Quem vinha na direção e percebia simplesmente dava meia volta ou atravessava a rua”, conta a nikkei, que teve seu iPod roubado.

“Nisso veio do outro lado da rua, um rapaz mais alto e que parecia conhecer o bandido. Fiquei com medo de ser atacada agora por dois. Mas em vez disso, ele o agarrou e mandou deixar eu ir porque era mulher. Fugi correndo e pedi socorro para um rapaz que vinha com dois cães, pois pensei que, ‘se passeia com cães eu posso confiar’. Enquanto explicava o que aconteceu, uma moça veio perguntar se eu precisar de algo e então pedi gelo. Começou a juntar muita gente e chamaram a polícia”, relata.

De acordo com a Polícia Militar, o suspeito foi preso quando tentava cometer um segundo crime, ainda na Avenida José Diogo, em Fortaleza. O suspeito foi encaminhado ao 2º Distrito Policial, no Bairro Aldeota, onde está preso. Segundo a PM, o suspeito afirmou em depoimento que praticava roubos e furtos para pagar dívidas com traficantes de drogas e que era ameaçado de morte. Os pertences que haviam sido roubados foram recuperados.

 

“Eu lutei para não ser violentada e ele terá a pena diminuída” (Foto: Reprodução / Facebook)

“Eu lutei para não ser violentada e ele terá a pena diminuída” (Foto: Reprodução / Facebook)

 

Impunidade – Na terça-feira (2), já na capital paranaense, onde se recupera dos ferimentos, Rika Yamane conversou com a reportagem do Jornal Nippak por telefone. Disse que veio de Quioto com a família, com três anos de idade e morou em outras localidades antes de fixar residência em Curitiba.”Fiquei sabendo que aquele local é violento há mais de 20 anos e ninguém fez nada até hoje. É por isso que eles praticam crimes”, conta Rika, que fica revoltada “só de pensar que o criminoso já esteja em liberdade”. “Não somos nós que devemos ter medo de sair de casa. O bandido é que tem que pensar antes de praticar o crime”, critica Rika, explicando que “lutei para não ser estuprada e escapar do criminoso e ele ainda terá sua pena diminuída por causa disso”. “É injusto. Eu que me esforcei para não ser violentada”, diz a médica, que ainda faz um desabafo: “Bandido se dá muito bem no Brasil”.

“O problema não é Fortaleza. Podia ter acontecido em Curitiba, Rio de Janeiro ou São Paulo. O problema é a impunidade que existe no Brasil. A pena é muito light. O bandido pratica um crime hoje e amanhã já está na rua. É por isso que o crime só aumenta”, critica Rika, afirmando que, apesar da agressão, não pensou em voltar para o Japão nem pretende mudar sua rotina.

“Por enquanto não estou trabalhando para cuidar dos ferimentos. Mas é revoltante saber que um preso no Brasil pode ser beneficiado com o auxílio-reclusão enquanto a vítima tem que pagar o tratamento do próprio bolso”, finaliza a veterinária.

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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