VISTO PARA O JAPÃO: Campanha busca estender benefícios também para yonseis

As cinco principais entidades da comunidade nipo-brasileira – Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil), Enkyo (Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo), Aliança Cultural Brasil-Japão e Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil – mais o Ciate (Centro de Informação e Apoio ao Trabalhador no Exterior), se mobilizaram e lançaram uma campanha na tentativa de conseguir o visto de residência por longo período também para a quarta geração de descendentes de japoneses, os chamados yonseis.

Em São Paulo, a iniciativa conta com apoio do deputado federal Walter Ihoshi (PSD-SP). A ideia é sensibilizar também os membros do Grupo Parlamentar Brasil-Japão, integrado por um expressivo número de deputados e senadores no Congresso Nacional, além de parlamentares japoneses, principalmente os que integram da Liga Parlamentar Japão-Brasil.

O movimento, que tem à frente o presidente do Ciate, Masato Ninomiya, deve envolver inicialmente apenas as entidades nikkeis. O objetivo é “preparar o terreno”, isto é, verificar se essa possibilidade encontra respaldo. Um primeiro passo nesse sentido foi dado com a elaboração de uma carta assinada pelos presidentes das entidades. O documento deve ser entregue ao Consulado Geral do Japão em São Paulo que o encaminhará para a Embaixada do Japão no Brasil para que então seja levada ao conhecimento do governo japonês.

 

O presidente do Ciate, Masato Ninomiya: “É o momento”. Foto: Aldo Shiguti

O presidente do Ciate, Masato Ninomiya: “É o momento”. Foto: Aldo Shiguti

 

Etapas – De acordo com Ninomiya, a campanha é para que os yonseis tenham o mesmo “privilégio” concedido atualmente a nisseis e sanseis, gerações consideradas importantes para o Japão mas que  se encontram numa faixa etária já elevada. “Por que então não considerar os yonseis? Se o Japão não tivesse precisando de gente, tudo bem”, explica Ninomiya, que já acompanha o tema há mais de 25 anos. “Sou bastante procurado por yonseis para comentar o assunto e acho que esse é o momento”, conta o advogado, que sugere ainda um debate sobre “o que é ser nikkei”.

Apesar de admitir que o processo “não será fácil”, Ninomiya disse que ficou mais otimista ao fazer um levantamento para saber quais as restrições legais que impedem que o benefício seja estendido para  yonseis. “Na realidade, existe apenas uma portaria do Ministério da Justiça que pode ser reconsiderada”, destacou o presidente do Ciate, lembrando que o visto de residência por longo período seria a primeira de uma série de etapas para quem pretende obter o visto permanente ou eventualmente uma cidadania japonesa.

De acordo com o presidente do Ciate, no caso dos nisseis, o visto de residência por longo periodo tem validade de três anos e para os sanseis, de um ano. “Acredito que, se aprovado, seria o mesmo caso dos yonseis”, diz Ninomiya, lembrando que hoje os yonseis podem entrar no Japão como estudante ou para trabalhos “altamente qualificados”, como técnicos, advogados e intérpretes. “Não como operário”, destaca.

Um detalhe importante é que o requerente não pode ter problemas com a justiça e mesmo com o visto permanente, se a pessoa for se ausentar do Japão por um longo período é necessário providenciar o visto de re entry (permissão de reentrada) para que ela possa retornar sem problemas.

Para reforçar o pedido, Ninomiya disse que pretende apresentar a ideia durante a 57ª Convenção dos Nikkeis e Japoneses no Japão (Kaigai Nikkeijin Taikai), que acontece em outubro, em Tóquio, para que o assunto seja inserido na Declaração Conjunta.

 

Walter Ihoshi entrega ofício de apoio à presidente do Bunkyo. Foto: facebook/WalterIhoshi

Walter Ihoshi entrega ofício de apoio à presidente do Bunkyo. Foto: facebook/WalterIhoshi

 

Critérios – Segundo Walter Ihoshi, a concessão beneficiaria um grande contingente de yonseis. “Tenho sido bastante procurado por descendentes da quarta geração da Capital e também de Marília através das redes sociais. Por outro lado, sabemos que o Japão sofre com a falta de mão de obra e os brasileiros se adaptaram muito bem no país”, conta Ihoshi, que assinou um ofício apoiando a causa.

“É uma luta importante e sabemos das dificuldades. Sua aprovação deve ser demorada e ainda assim esperamos que o governo japonês estabeleça alguns critérios. Mas há uma sinalização para que isso ocorra e devemos dar a opção de escolha para os yonseis irem ou não para o Japão. Se é um desejo de muitos, não podemos nos omitir”, afirmou o parlamentar, destacando que “a contribuição dos trabalhadores brasileiros nisseis e sanseis têm sido inestimável na economia japonesa bem como o intercâmbio cultural dos dois povos através da presença brasileira em terras japonesas”.

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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    5 Comments

    1. Ana Paula Ohura says:

      Vocês,deveriam era pensar nas crianças que nascem aqui no Japão,só que não tem direito a nacionalidade japonesa,a cabeça deles fica muito confusa,acho que isso,deveria ser pensado e resolvido,assim como meus filhos tem muitos que são nascidos e criados aqui no Japão,e se sentem estranhos nem japonês e tão pouco se consideram brasileiros,Pensem nisso,e o Japão cada ano o número de crianças diminui e muito,esses filhos de dekasekis sem nacionalidade definida,vão fazer falta no futuro bem próximo!!

    2. Eu acho que liberar o visto para yonseis sem exigir conhecimento da lingua japonesa eh um grande ERRO. A crise de 2008 provou que os brasileiros foram o grupo estrangeiro mais vulneravel no Japao. Basta ver as estatisticas, os brasileiros foram os estrangeiros que mais se debandaram do Japao, enquanto isso, os filipinios, vietanamitas, nepaleses, cresceram em numeros absolutos e relativos. O governo japones ja optou pela mao de obra asiatica que apresentam menos problemas relativos a delinquencia juvenenil e educacao de criancas.

    3. fatima terezinha Bernardo says:

      Concordo com essa iniciativa pois meus filhos foram criados no Japão e não se adaptam muito aqui no Brasil .

    4. Erro é voçes vir comandar no Brasil?
      E quer dizer que não podemos também entrar no Japão nem para trabalhar?
      Não julgue os Yonseis por culpas de outros que vandalizam por aí, muitos querem ir para trabalhar, ver as famílias que ficaram no Japão…

    5. Acho justo a liberação do visto , idenpendente da geração eles são descendentes e merecem uma chance de conhecer e desfrutar vivências de seus antepassados

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