VISTO PARA YONSEI: ‘Nossa luta está começando dar resultados’, diz Walter Ihoshi sobre ‘working holiday’

A concessão de visto de longa permanência para os yonseis – descendentes de japoneses da quarta geração – voltou a ganhar força em meados de maio, quando o PLD – Partido Liberal Democrata – o mesmo do primeiro-ministro japonês Shinzo Sabe, propôs o working holiday para que os filhos de sanseis também possam trabalhar no Japão. Para o deputado federal Walter Ihoshi (PSD-SP), que levantou como uma de suas principais bandeiras desde que assumiu seu terceiro mandato a luta para conseguir o visto de longa permanência para os yonseis “nos mesmos moldes dos nisseis e sanseis”, “isso mostra que estamos no caminho certo”.

 

Ihoshi conversou sobre o tema com o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Kentaro Sonoura. Foto: Jiro Mochizuki

 

“Ainda não é o que pretendemos porque o que estamos buscando é ampliar os direitos do visto de longa permanência também para os yonseis, mas sem dúvida, acredito que o fato de o working holiday estar sendo discutido e proposto pelo partido do governo já é um resultado inicial dessa nossa luta e mostra que estamos no caminho certo”, disse Ihoshi, lembrando que durante a cerimônia de inauguração da Japan House São Paulo, no final de abril, aproveitou a visita dos representantes do governo japonês,  em especial o  vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão, Kentaro Sonoura, para falar sobre o assunto.

De acordo com o parlamentar, o visto de working holiday é um programa de férias do governo japonês que inclui o visto de Trabalho e que permite que os jovens viajantes possam trabalhar e estudar durante o período de férias. Segundo ele, o visto é concedido a jovens de 18 a 30 anos de países com os quais o Japão mantêm esse acordo de intercâmbio.

 

Arubaito – Atualmente, explica Ihoshi, são 16 países, entre eles a Autrália, Canadá, Reino Unido, Eslováquia, Irlanda, Portugal, Áustria, França, Reino Unido, Alemanha e Polônia, além de algumas nações asiáticas como Coreia do Sul, Taiwan e Hong Kong.
“Na verdade, é o sistema que no Japão é conhecido como arubaito, isto é, trabalho temporário realizado por estudantes. Por enquanto, não tem nenhum país da América Latina e o Brasil seria o primeiro a firmar esse tipo de acordo”, diz Ihoshi, acrescentando que, diferentemente do sistema atual – em que o working holiday é concedido por um prazo de um ano – o modelo apresentado pelo PLD é de dois anos e não tem restrição de horas trabalhadas.

 

Restrições – “Mas a pessoa tem que estudar e trabalhar. Outro ponto importante que é preciso ficar atento é que essa modalidade de visto não permite que se leve dependentes, o que inclui filhos”, conta o deputado, esclarecendo ainda que “a pessoa tem que embarcar com o bilhete de ida e volta e dinheiro suficiente para se manter no Japão durante esse período”.

“De qualquer forma é um avanço, sem dúvida. Mostra que o governo japonês está estudando seriamente essa questão. Estamos vendo isso com excelente perspectivas que nossa luta começa dar resultados. Porém, ainda não é que buscamos. Nossa luta é permanente. Estamos em constante diálogo com a Embaixada do Japão no Brasil, com os deputados japonmeses da da Liga Parlamentar Japão-Brasil e com o próprio Consulado do Japão em São Paulo”, disse Ihoshi, que reiterou que espera ter uma posição do governo japonês até 2018.

 

Meta – Para Ihoshi, trata-se de uma meta “importante e que precisa ser perseguida”. “2108 representará um marco nas comemorações dos 110 Anos da Imigração Japonesa no Brasil. Agora, seria interessante viabilizar e regulamentar o working holiday e o governo japonês está dando sinais de que estamos no caminho certo”, finalizou o parlamentar, lembrando que a campanha conta com apoio das cinco principais entidades nipo-brasileiras – Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), Enkyo (Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo); Aliança Cultural Brasil-Japão; Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil e Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil), além do Ciate (Centro de Informação e Apoio ao Trabalhador no Exterior.

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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