VISTO PARA YONSEI: Visto para yonsei pode ser liberado em novembro, diz deputado japonês

No último dia 21, Robson Simoce, de 37 anos, saiu de São Miguel Paulista, na zona Leste de São Paulo, para conhecer, pela primeira vez, o Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), no bairro da Liberdade. O motivo não era nenhuma festa da comunidade nikkei, mas para participar de uma palestra.

 

Visto para yonsei pode ser liberado em novembro, diz deputado japonês. Foto: Jiro Mochizuki

 

Yonsei, Robson aguarda, como muitos outros de sua geração, a liberação do visto de longa permanência para poder não só realizar o sonho de trabalhar no Japão, mas também reencontrar a família, que mora em Aichi. A palestra “A comunidade nikkei e o novo papel da quarta geração”, que contou com a participação do deputado japonês, Mikio Shimoji, membro do partido Nippon Ishin no Kai, e do deputado federal Walter Ihoshi (PSD-SP), trouxe, enfim, a notícia que Robson tão esperava.

Conforme destacou Mikio Shimoji, o visto de longa permanência para os yonseis   pode ser liberado ainda em novembro deste ano na modalidade working holiday – algo parecido como atividades nas férias para que os jovens possam trabalhar e aprender a cultura japonesa ao mesmo tempo. Atualmente  o Japão mantém esse acordo com 18 países e pelas regras atuais, tem validade de apenas um ano.

A proposta apresentada por Mikio Shimoji é estender esse período de estadia no Japão para três anos. “Nossa intenção é estudar uma forma para que, passados esses três anos, os yonseis possam exercer o direito de permancer no Japão ou retornar para o seu país de origem, da mesma forma que os nisseis e sanseis”, destacou Shimoji, acrescentando que “existem várias opiniões e sugestões em relação a esse status de permanência de longo período no Japão”.

Uma delas, conta, é conceder o status de permanência de longo período aos yonseis “apenas para os que, durante esses três anos de working holiday, trabalhem com seriedade sem cometer nenhum delito”. A outra é avaliar, esgotado esse prazo, se o yonsei conseguiu se adatar à sociedade japonesa.

“Nós precisamos decidir qual a posição será adotada antes de inciarmos esse programa que deve entrar em vigor em novembro”, disse o parlamentar, lembrando que, “por se tratar de uma resolução interna do Ministério da Justiça, o projeto não precisa passar pelo Parlamento”. “Estou certo que entrará em vigor em novembro”, reforçou Shimoji aos jornalistas , afirmando que sua visita ao Brasil, a primeira aliás, era justamente para ouvir a opinião dos próprios interessados. Foi, o que ele classificou, de “última oportunidade para fazer os ajustes finais”.

“Falei no Parlamento de Tóquio que, antes de concluir qualquer mecanismo de sistema de concessão de visto para yonsei, nós tínhamos que ouvir muitas pessoas no Brasil, que são as interessadas diretamente na questão”, disse ele.

 

Shimoji: “Parceria com as comunidades nikkeis será imprescindível”. Foto: Jiro Mochizuki

 

Emoção – Autor da proposta – juntamente com seus colegas de partido, Takayuki Shimizu e Toyofumi Yohida, que também vieram ao Brasil – Mikio Shimoji disse que o estudo sobre um novo esquema foi elaborado em suas experiências no Peru. “Infelizmente, não tive oportunidade de visitar o Brasil antes, mas prometo que daqui para frente vou vir pelo menos duas vezes por ano”, brincou Mikio, afirmando que ficou “emocionado” ao visitar o Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil e conhecer a saga dos pioneiros no Brasil.

Mikio Shimoji explicou que já se passaram muitos anos desde que a guerra terminou e desde então, “o Japão vem sendo um país pacífico, com uma economia próspera”.

 

Nova estrutura – “Agora, no entanto chegou o momento de pensarmos qual país nós queremos construir. E nós pensamos bastante sobre a época que o Japão passava dificuldades e muitos de nossos ancestrais imigraram para vários países do mundo. Acredito que daqui para frente precisaremos construir uma forte parceria com essas pessoas, que são nossos colegas. É hora de abrir a porta também para os jovens da quarta e quinta gerações conhecerem o Japão, para morar, conhecer nossa cultura e trabalhar em nosso país”, destacou Shimoji, lembrando que, “anteriormente, a taxa de natalidade no Japão era de 2,5 milhões e hoje é menos de um milhão”.

“O que nos leva a comentar que daqui a 30 anos a população japonesa será menos de 100 milhões. Assim, a parceria com as comunidades nikkeis do mundo inteiro será imprescindível para compor essa nova estrutura demográfica. Para isso, devemos tornar o ambiente no Japão mais flexível”, defende Mikio Shimoji, afirmando que para que essa ponte com as novas gerações seja perpetuada,  é preciso dar oportunidades para os descendentes da quarta geração, direito assegurado “inclusive para cônjuges e filhos biológicos de nisseis e sanseis”.

Segundo ele, 2 de fevereiro deste ano ficou marcado como o “Dia D”, para que o projeto avançasse. “Desde então, juntamente com o Ministério da Justiça do Japão, viemos trabalhando para elaborar esse projeto de concessão de visto para yonseis”.

 

Ihoshi: “Vou atuar do lado brasileiro para que o projeto seja acatado”. Foto: Jiro Mochizuki

 

Cônjuges – Mikio Shimoji admite que ainda há muitas questões que precisam ser definidas. Um dos desafios, conta, é que a proposta original do working holiday não não permite o acompanhamento de cônjuges. “Trata-se de um quesito que estamos avaliando. Nossa intenção é incluir o cônjuge durante a estadia de três anos”, diz.

Existe, ainda outra discussão que refere-se ao local de trabalho. Mikio explica que há várias opiniões. Uma é dar liberdade de escolha para os yonseis. Há, porém, os que defendem a necessidade de um conhecimento mais profundo do idioma japonês pois, por se tratar da quarta geração, a capacidade de aprendizado da língua japonesa ainda seria insuficiente para que ele possa viver e desenvolver seu trabalho profisisonal no Japão.

Desta forma, durante a estadia inicial de três anos em território japonês, os yonseis deveriam ficar numa empresa que se comprometesse a proporcionar um bom ensino da língua japonesa e depois de completar três anos o yonsei teria total liberdade de escolher seu próprio caminho.

Mikio Shimoji revela que é favorável a essa segunda ideia, de empresa comprometida com o acolhimento dos yonseis, no sentido de treiná-los e capacitá-los “para que eles possam sentir que realmente essa experência foi válida”.

Uma sugestão apontada por Mikio é eleger empresas contratantes que forneçam previamente um plano de estudos e tornar o Ciate (Centro de Informação e Apoio ao Trabalhador no Exterior), uma “referência”, ou uma central de reclamações caso o interessado se sinta lesado. “Mas é preciso criar uma forma de monitorar as empresas”, diz Mikio, afirmando que, “por outro lado sabemos da necessidade de preparar  e estruturar a nossa sociedade para poder recepcionar adequadamente essas pessoas”.

 

 

Deputados japoneses com Ihoshi e lideranças da comunidade. Foto: Jiro Mochizuki

 

Apoio – Defendor da causa no Brasil, o deputado Walter Ihoshi considerou o encontro “muito positivo”. “Os resultados que nós esperávamos para o ano que vem parece que vai chegar ainda este ano. Foi muito importante a presença dos parlamentes para ouvir a comunidade, tirar as dúvidas e para ponderar os encaminhamentos que eles farão para que a partir de novembro comece a valer. Acredito que esse sistema onde os yonseis terão três anos para se adpatar, conhecer a cultura e o idioma japonês será importante para que este visto seja sim de longa permanência”, ressaltou Ihoshi, que desde o início apoiou o movimento lançado pelas cinco principais entidades nipo-brasileiras – Bunkyo, Enkyo (Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo), Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil, Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil) e Aliança Cultural Brasil-Japão, além do Ciate – no sentido de tentar sensibilizar o governo japonês para a concessão de visto de longa permanência também parta os yonseis.

 

Sensibilidade – Apesar de “satisfeito” por sentir que seu trabalho está dando resultado, Walter Ihoshi lembra que trata-se de um acordo mútuo. “Nós vamos trabalhar muito do lado brasileiro para que o projeto seja acatado”, destacou o parlamentar, explicando que pretende agendar uma visita ao Ministério das Relações Exteriores já na próxima semana e, se possível, conversar pessoalmente com o mnistro Aloysio Nunes Ferreira.

“O ministro, inclusive, já esteve no Japão e conhece bem a situação da comunidade brasileira naquele país. Acredito que ele terá sensibilidade em nos apoiar”, afirmou Ihoshi, revelando que espera visitar o Japão ainda este ano para “reforçar esta ponte de comunicação com os japoneses”.

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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