BEISEBOL: André Rienzo é o segundo brasileiro a chegar Major League Baseball

Por Ubiratan Leal / Extratime

 

André Rienzo em ação pelos White Sox durante a pré-temporada (AP Photo/Matt York)

 

Yan Gomes não está mais sozinho. Nesta terça, André Rienzo foi promovido ao time principal do Chicago White Sox  e se tornou o segundo brasileiro na Major League Baseball. E o arremessador já está escalado para ser o abridor logo em seu primeiro dia, no confronto contra o Cleveland Indians de Yan Gomes.

O ExtraTime conversou com exclusividade com Rienzo, que contou como recebeu a notícia que estava promovido à maior liga de beisebol do mundo e como chegou a esconder uma contusão de seus treinadores para se recuperar de um início de temporada bastante ruim nas ligas menores. Veja como foi a conversa.

Como foi que você recebeu a notícia?

Foi na segunda. A gente jogou ao meio-dia e, depois da partida, estávamos almoçando. Aí, o técnico veio, me deu os parabéns, informou que eu ia embarcar para Cleveland naquela noite, às 20h, e falou umas outras coisas. Mas eu estava na lua na hora, nem prestei atenção direito se eu ia abrir ou ficar de relevo. Só depois que descobri que eu ia realmente ser o titular.

 

Você vai enfrentar o Cleveland, justamente o time do Yan. Falou com ele?

Pois é… Então, eu conversei com ele rapidinho pelo telefone, ainda em Charlotte, antes de ir ao aeroporto. Vou ver se consigo falar com ele melhor depois.

 

Já era algo esperado havia alguns dias, a imprensa já especulava. Você tinha essa sensação também?

O que eu podia fazer era jogar. Lá em cima [time principal dos White Sox] eles não estão tão bem, precisavam renovar. Às vezes isso é bom, porque podem dar oportunidades aos mais jovens, mas às vezes é ruim. Por exemplo, às vezes trocam um outfielder por dois arremessadores, como aconteceu em 2011 com o Carlos Quentin e pelo Simón Castro e o Pedro Hernández. Mas eu sabia que era o único abridor no elenco de 40 [jogadores que podem ser chamados imediatamente para atuar na MLB] que não estava no elenco de 25 [jogadores inscritos para as partidas]. Então, se eles precisassem de um abridor, ou eles colocavam alguém no elenco de 40, ou eles me subiam.

 

Seu começo de temporada foi muito ruim, e só melhorou a partir de junho. O que aconteceu?

No começo do ano, voltei ruim do World Baseball Classic. Como o Murilo [Gouvea, brasileiro que está nas categorias de base do Houston Astros], voltei com dor no braço. Felizmente, a minha teve cura. A dele teve de operar. Nós tentamos dar o máximo no Mundial, e tentamos demais. Quando começou a temporada nos Estados Unidos, estava difícil jogar. Segurei ao máximo para não falar para não me mandara para a lista de machucados. Aí, falei com meu irmão, que é fisioterapeuta. Eu mesmo comecei a fazer alguma coisa em casa, pus gelo, fiz fortalecimento no cotovelo sem contar para o pessoal. Quase comprei um ultrassom de fisioterapeuta, mas não comprei com medo de fazer alguma coisa errada. Ao mesmo tempo, comecei a trabalhar com o técnico de arremessadores para acertar a minha mecânica. Talvez pelo fato de estar com dor no braço, eu tenha mudado a mecânica sem perceber. Aí, aos poucos, a dor foi sumindo.

 

O que havia errado no movimento?

Eu estava cruzando muito e meu braço estava baixo. Com meu braço baixo, o rebatedor via melhor minha bola. Meu ângulo de arremesso é de cima para baixo. Se eu fico baixo, a bola vem em uma linha reta para o rebatedor e fica bem mais fácil para ele rebater. Ela vem reto e ele bate longe. Tanto que tomei cinco home runs.

 

Agora que a questão das dores se resolveu, já contou para o pessoal do time?

Não, eles não sabem. Um grupo do time sabe, pessoal que joga comigo já há três anos. Mas o técnico, o fisioterapeuta não chegaram a saber. Melhor ficar quieto.

 

Há umas semanas, você comentou que estava “tentando fazer demais” e não estava conseguindo. É a mesma coisa que você mesmo havia dito sobre a sua atuação naquele jogo contra o Panamá nas Eliminatórias do Mundial. O que acontece?

Vou te dar um exemplo de um filme que eu gosto muito, o Replacements [lançado no Brasil como “Virando o Jogo”]. Tem uma parte que eles falam do medo, e falam em areia movediça. Eu estava como na areia movediça. Eu estava mal dentro de campo e fora, porque abala a mente, perdi a confiança. Eu queria sair, mas começava a tentar coisas diferentes e não conseguia, porque eu já estava mal. Meu técnico de arremessador me falou que eu estava pensando muito, e por isso, estava tentando fazer coisa demais. Ele dizia “Vai lá e joga, você sabe jogar!” para tirar a pressão.

 

Considerando o caso desse ano e o caso daquele jogo no Panamá, não é um problema que você precisa trabalhar melhor?

Com certeza. Pode ser uma falha que eu tenha. Às vezes você quer mostrar demais, e não é assim. É um jogo com dois times de nove, um sozinho não ganha nada. Eu acho que tenho de deixar os outros fazerem o trabalho deles também.

 

Depois do WBC, chegou a perceber alguma mudança no cenário do beisebol no Brasil?

Eu vi mudanças depois da classificatória. Mas, depois do Classic não deu para ver. Eu vim direto do Japão para os Estados Unidos e não pude ver como ficou. Mas depois das Eliminatórias deu para ver, sobretudo entre quem já acompanhava o beisebol. O que eu sigo acompanhando é o Atibaia, que é de onde eu sou, meu irmão está lá. Falo sempre com ele para saber se perdemos ou ganhamos. Agora, depois do Classic, muita gente me adicionou. Isso pode ser um incentivo.

 

Em uma entrevista ao site da MLB, você disse que pretendia ajudar a difundir o beisebol no Brasil. De que forma?

Eu tento fazer. Às vezes, quando estou falando com algum olheiro dos White Sox, falo para ir ao Brasil, para acreditar que tem gente boa. Eu estava falando com um do Cincinnati outro dia e contei o trabalho que o Seattle estava fazendo. Não adianta ter só o Elite Camp [evento anual, organizado pela CBBS e a MLB, em que garotos são observados por olheiros americanos]. Ele é bom, é legal, mas é aberto só até quem tem 16 anos. Tem gente mais velha, com 17 ou 18, que é boa e acaba não sendo observada. Eu mesmo foi para os Estados Unidos só com 17.
Fonte: Extratime

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