ERIKA TAMURA: Levo ótimas recordações

 

Meus dias no Brasil estão se acabando, me despeço desse país com ótimas recordações e alegrias. O melhor foi sentir pessoalmente esse carinho dos leitores do jornal.

Confesso que não ima­ginava o que iria encontrar, nem o que iria acontecer nessa viagem ao Brasil, e o saldo foi extremamente positivo! Em todos os aspectos!

A homenagem pela Câmara Municipal de Araçatuba, o reencontro com amigos e familiares, a descoberta de novas amizades e o contato com os leitores tornaram a viagem especial.

Economicamente vi um Brasil bem mais forte, mas socialmente desestruturado como sempre. Não adianta eu ficar escrevendo sobre tudo isso, se eu não tomar uma atitude de nada valem as palavras.

Por isso tenho consciência de que quero fazer um trabalho social amparando crianças e dando pelo menos educação e dignidade. O mínimo para uma criança não parar de sonhar. Ainda não sei por onde começar, mas estou aberta à sugestões.

O que vemos no Brasil é absurdamente contrastantes, crianças muito ricas vivendo na ostentação e outras muito pobres, vivendo miseravelmente. E isso me machuca muito.

No Japão são cenas que não existem, crianças pobres pedindo esmolas no sinal, viciadas em entorpecentes e andando loucamente pelas ruas.

Na verdade o trânsito do Brasil me deixa um pouco confusa, a começar pelo lado da direção e da mão, que no Japão são o inverso do Brasil. Outra característica que vejo aqui, ninguem respeita a faixa da rua, uns andam no meio da rua, outros mudam de faixa sem o menor trabalho de olhar pelo retrovisor se vem carro ou não! E isso vi principalmente em Araçatuba. Outro ponto de destaque no trânsito, ninguém, ou pelo menos a maioria, não utiliza a seta para virar, ninguém sabe para onde o carro vai, ou o que ele é capaz de fazer daqui alguns segundos. Um verdadeiro caos.

Andando pela Liberdade em São Paulo com a minha amiga Vera, descobri que não sei atravessar a rua. Estou tão acostumada no Japão, onde os pedestres param na faixa de pedestres e os carros param, que cheguei na faixa e fui passando. Repreendida logo de cara, minha amiga tentava me explicar, que no Brasil as coisas são diferentes.

São culturas bem diferentes, onde as comparações são inevitáveis, por mais gritantes que elas sejam.

Preciso muito falar da comida brasileira, sem precedentes! Não existe igual no mundo todo, não tem como resistir a um arroz soltinho com feijão e um bife. Quando vou a padaria, pão de queijo é a pedida certeira, coisas que o Japão não conhece.

Mas apesar de todas as diferenças culturais, sociais e econômicas entre Brasil e Japão, eu me divido entre esses dois países! Não tem como ser diferente , amo o Brasil e Japão na mesma proporção, sem favoritismo de nenhum dos lados.

Saio do Brasil com a certeza que não ficarei mais sete anos sem voltar, mesmo porque esse contato com os meus leitores me fez muito bem! É muito bom sair na rua e ver as pessoas vindo falar comigo, me parabenizando pelos artigos, e comentando sobre o que maior repercutiu para eles.

Esse carinho, com certeza, nem o maior imperador do mundo é capaz de comprar, esse retorno me falta palavras para descrever, tudo o que me aconteceu no Brasil, juro que não tenho nada pra reclamar, saiu tudo melhor que o esperado! Bem mais do que eu mereço, tenho certeza disso!

É com lágrimas nos olhos que me despeço desse país, e muito grata com cada pessoa que sempre acreditou em mim, é esse o sentimento que carrego comigo hoje, gratidão! As únicas palavras que posso falar, OBRIGADA BRASIL!!!!

 

 

 

*Erika Tamura nasceu em Araçatuba e há 14 anos mora no Japão, onde trabalha com desenvolvimento de criação. E-mail: erikasumida@hotmail.com

 

 

 

 

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