SILVIO SANO: O desastre em São Paulo…

 

Não pelo prefeito eleito, o que só o tempo dirá, mas o fato de que 31,59% dos paulistanos deixaram de optar por um dos candidatos (4,34%, brancos; 7,26% nulos; e, 19,99% de abstenções)! Ou seja, de um eleitorado composto de 8.619.170, nada menos de 2.722.795 pessoas preferiram não votar em ninguém! E eram apenas dois, agora! Pode? Bom, não deveria, mas foi o que aconteceu!

Como explicar esse fato? Como já afirmei antes, não gosto muito de invadir outras “praias”, mas a curiosidade foi tamanha que resolvi, ao menos, fazer algumas reflexões. Até pelo que escrevi no último artigo no que se refere a pessoas esclarecidas devido à questão dos nikkeis, nesse aspecto. Ledo engano, meu! Não nesse aspecto do esclarecimento, mas daquilo que afirmei sobre eles. Cheguei a essa nova conclusão, às vésperas da eleição, quando bati um longo papo, via MSN, com um amigo… esclarecido. Minha primeira surpresa foi quando me falou que ainda não tinha candidato. “Mas a eleição é amanhã!”, respondi para, em seguida, voltar a me surpreender com as novas argumentações dele. Daí, começaram minhas preocupações em relação ao resultado do dia seguinte… e, bem como das razões de ele e, na certa, muitos outros, como ele… Esclarecidos, pensarem assim.

A primeira veio do próprio papo com ele, sobre a descrença nos políticos ou da “mesmice”, verbete que usou, mas que, no fim do papo, consegui convencê-lo a optar, pelo menos, à “mesmice” menos pior! Não fiquei satisfeito. Em seguida, vieram-me as pesquisas e os flashs na TV relativos às mesmas. “Ah! Como já está definido, vou à praia!”, ou “vou votar no que vai ganhar!”, etc., afora os estímulos e desestímulos a um lado ou outro dos militantes. São as razões também do alto índice das abstenções. Só que sai da cidade quem pode. Quem não pode fica e, daí… Vai votar, ué! De quem seria o eleitorado do que sai e do que fica?

Pois é, daí porque se afirma que, mesmo os que se abstém de votar, anula ou vota em branco, fazem, sim, suas opções. O problema é que ainda não se aperceberam disso e de que são tão parceiros ou cúmplices da nova gestão a que se mostraram indiferentes. Né, não?!

 


*Silvio Sano é arquiteto e escritor. E-mail: silviossam@gmail.com

 

 

 

 

 

 

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