COMUNIDADE: Associação Aza Oroku Tabaru do Brasil celebra 100 anos de imigração

A Associação Aza Oroku Tabaru do Brasil realiza neste domingo, 27, no Salão do Espaço de Eventos Hakka, no bairro da Liberdade, em São Paulo, solenidade oficial em comemoração aos 100 Anos de Imigração de Aza Oroku Tabaru no Brasil. A cerimônia contará com a participação das delegações de Okinawa, com 46 membros, e do Havaí, com 8 pessoas, além de autoridades brasileiras e japonesas, presidentes de entidades nipo-brasileiras e associados.

 

Akeo Yogui (pres. Associação Aza Oroku Tabaru do Brasil) e Terio Uehara, da Comissão Organizadora. Foto: Nikkey Shimbun

 

A programação terá início a partir das 10 horas, com a celebração de uma missa e, por volta do meio-dia acontece a solenidade propriamente dita com discursos e homenagens a mais de 70 pessoas com mais de 85 anos de idade, sendo o mais idoso com 103 anos.

Aza Oroku e Aza Tabaru são dois bairros da cidade de Naha, capital da província de Okinawa no Japão. Antes da Segunda Guerra Mundial, a cidade de Naha tinha como limítrofe  as pequenas vilas: Oroku son, Mawashi son e Shuri. Em 1954, as três vilas foram anexadas à cidade de Naha. Portanto, hoje, a cidade de Naha é formada por quatro regiões: Naha  (antiga), Oroku, Mawashi e Shuri.

A região de Oroku, por sua vez, é subdividida em 12 aza, (bairros), sendo eles: Aza Kagamizu, Aza Ashimine, Aza Omine, Aza Touma, Aza Kanagusuku, Aza Miyagui, Aza Takara, Aza Akamine, Aza Oroku, Aza Tabaru, Aza Uebaru e Aza Gushi. Conta-se que antigamente Aza Oroku e Aza Tabaru constituíam uma única aldeia, pertencentes ao majiri (vilarejo ou aldeia) Oroku; mas devido a diversos problemas de ordem administrativa, decidiu-se pela emancipação de Aza Tabaru (em meados do século XVIII).

As primeiras 20 famílias, totalizando 39 pessoas, provenientes da região de Aza Oroku e Aza Tabaru chegaram ao Brasil em 1917. Dentre as primeiras famílias, os Uehara, Takara e Teruya abrangiam praticamente 80% dos sobrenomes – Kanashiro e Yogui completavam a leva de pioneiros.

“Era o início de uma saga de um povo, que após 100 anos, venceu obstáculos e conquistou vitórias, mantendo-se sempre unido e fiel às suas tradições”, diz Yogui, lembrando que, entre os anos de 1918 e 1927 houve um hiato na imigração de okinawanos provenientes de Aza Oroku e Aza Tabaru.

“Ou seja, durante um período de nove anos, nenhum Urukunchu (como são chamados no Brasil os nascidos em Aza Oroku e Aza Tabaru) imigrou para o Brasil, sendo o movimento de imigração retomado a partir de 1929, com a grande recessão mundial”, diz Yogui, explicando que, foi a partir de 1932 que começou a vir uma maior demanda de imigrantes desta região, cessando novamente em 1942 em decorrência da Segunda Guerra Mundial.

“Somente em 1953, após o término da Guerra, a imigração de japoneses ao Brasil foi permitida novamente”, conta Yogui, destacando que, assim como os demais imigrantes japoneses, eles foram levados para as fazendas de café para trabalharem nas lavouras. “Assim que cumpriam os contratos, juntavam-se  aos veteranos para se tornarem agricultores independentes na região da Estrada de Ferro Noroeste, onde o desenvolvimento estava avançado a partir da região de Mogiana em direção ao oeste”, observa Yogui, acrescentando que apesar de serem dois aza (bairros) administrativamente distintos da cidade de Naha, capital da província de Okinawa, no Japão, por aqui, explica Yogui, por conta do forte laço de parentesco entre as famílias de ambos, uniram-se formando uma única associação, a Associação Aza Oroku Tabaru do Brasil.

 

A associação – Fundada em 1964, ainda sob o nome de Associação Aza Orokujin do Brasil (os provenientes de Aza Tabaru e seus descendentes passaram a fazer parte posteriormente), no intuito de promover a comunicação entre os shimanchus (conterrâneos), bem como fazer um levantamento da situação real dos azajins, a Associação Aza Oroku Tabaru do Brasil reúne atualmente mais de 1000 famílias.

As maiores concentrações de Urukunchu estão nos bairros paulistas de Vila Carrão (zona leste), Casa Verde, Santa Maria (zona norte), correspondendo a 95% de residentes em São Paulo, apesar de existirem outros redutos com menor número de pessoas.

Segundo Yogui, a Associação Okinawa de Santa Maria (uma das subsedes da Associação Okinawa Kenjin do Brasil) é formada por cerca de 95% de Urukunchu no seu quadro de 220 famílias associadas.

“Além do Brasil, apenas no Havaí há concentração de imigrantes de Aza Oroku e Tabaru. A Associação Oroku Tabaru do Brasil, atualmente, liderada pelos nisseis, sanseis, mantêm o mesmo entusiasmo e dedicação, para a preservação do legado dos fundadores, assumindo  a posição de protagonista”, diz Yogui.

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
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    Comemoração dos 100 Anos de Imigração de Aza Oroku Tabaru do Brasil

    Quando: Dia 27 de agosto, domingo, a partir das 10 horas

    Onde: Salão do Espaço de Eventos Hakka (Rua São Joaquim, 460 – Liberdade – próximo à estação São Joaqim do metrô)

     

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