ELEIÇÕES 2012: Prefeito eleito de Janaúba, Yuji Yamada quer melhorar qualidade de vida da população

 

Você, provavelmente, ainda não deve ter ouvido falar de Janaúba. Segunda maior cidade do norte de Minas Gerais (distante 132 km de Montes Claros e 547 km de Belo Horizonte), é conhecida por ser uma cidade “acolhedora” e ter um “povo hospitaleiro”.  Com pouco mais de 70 mil habitantes, tem na agricultura sua principal atividade – entre outros, ostenta o título de “Capital da banana e do minimilho”. Características que chamaram a atenção do japonês naturalizado Yuji Yamada, de 65 anos, e o fizeram trocar uma vida próspera e tranqüila em Registro, no Vale do Ribeira, onde tinha plantação de bananas, maracujá, casas e até um karaokê, para se aventurar com a família – a mulher e, na época, três filhos – em uma terra, até então, estranha.

 

Yuji Yamada

 

Apostou tudo o que tinha para perseguir um sonho de criança. “No Japão, um velho japonês costumava dizer que no Brasil tinha um lugar com terras planas, onde não se enxergava o seu fim. Ele falava que no Brasil se produzia o ano inteiro e não tinha guerras. Fiquei com aquilo na cabeça e sonhava conhecer esse lugar”, conta. Em janeiro, ele vai se tornar no único japonês naturalizado a tomar posse como prefeito.

Eleito no dia 7 de outubro com 14.605 votos (39,46%), o empresário e fruticultor venceu uma disputa acirrada contra o ex-prefeito Ivonei Abade Brito (PSDB), que obteve 14.269 votos (38,56%). Ou seja, apenas 336 votos de diferença. O atual prefeito, José Benedito Nunes Neto (PT), que tentava a reeleição, ficou em terceiro com 8.135 votos (21,98%).

Yamada, que concorreu pelo PRP, reclama. Conta que a diferença era para ter sido maior, “de uns dois mil votos, no mínimo”. “Na última semana da campanha, jogaram sujo. Sofri muito ataque pesado, baixo mesmo. Começaram a plantar muitos boatos, de que eu tinha comprado votos, e até manipularam uma pesquisa em que eu aparecia em último na pesquisa”, conta Yamada, lembrando que antes mesmo do término da apuração, seu adversário já estava comemorando, uma tentativa de intimidá-lo.

Para Yuji Yamada, ser prefeito de Janaúba é uma forma de retribuir o carinho da população. Para ele, aceitar o desafio de lançar sua candidatura também serviu para “testar sua popularidade”. “Queria saber até onde era conhecido”, conta ele, que após quase três décadas morando na cidade já se sente um autêntico janaubense, título que, aliás, recebeu em 1996 da Câmara Municipal.

“Sempre ajudei outros candidatos a melhorar a cidade, mas nessa eleição estava difícil apoiar alguém. Como a vida me ensinou a administrar empresas e a lidar com pessoas, decidi eu mesmo me lançar candidato”, justifica Yamada, acrescentando que “será mais um desafio na minha vida”.

 

Passat e karaokê – Desafios que começaram ainda no Japão, até convencer os pais Katsuzo e Momoe Yamada a deixar a província de Hokkaido, no Japão, onde nasceu, e vir para o Brasil, em 1960, então com 13 anos de idade. “Meu pai tinha terras em Hokkaido e venceu tudo. Naquela época, tínhamos um parente que já estava em Registro e foi ele quem nos arrumou dois alqueires de terra para plantarmos chá e verduras”, lembra Yamada, que veio com mais sete irmãos – outros quatro ficaram no Japão.

“Meu pai faleceu com pouco tempo de Brasil e meus irmãos tocaram o negócio. Com 20 anos, decidi sair de casa e arrendei um pedaço de terra onde comecei a plantar banana e, depois, maracujá”. A produção ia de vento em popa. “Era início da década de 80, quando ainda quase não se ouvia falar em consumo de maracujá no Brasil. Decidi investir mais e deu certo. Tinha duas fábricas de suco que disputavam a colheita. Ganhei muito dinheiro e fiquei famoso”, conta Yamada, lembrando que comprou casas e carros do ano, incluindo um Passat TS. “Todos achavam que eu havia ganho na loteria”, brinca ele, que motivado por uma de seus hobbies – a paixão pela música – decidiu montar um karaokê em Registro. A casa acabaria entrando para o Guia da 4 Rodas, um dos mais respeitados do gênero. “Fiz questão de caprichar na decoração”, conta, orgulhoso.

Foi então, que a notícia do sucesso se espalhou e “todos começaram a plantar maracujá”. “Fiquei com medo de uma super safra, mas mesmo assim ainda continuei por uns tempos”. Inquieto, saiu à procura das tais terras que o senhor japonês lhe falara. Passou pelo Estado de Goiás e em diversas localidades de Minas Gerais até descobrir Janaúba.

“Conheci um projeto de irrigação que me deixou emocionado. Como já era agricultor, alguma coisa me fez sentir que ali daria certo. Voltei para Registro, vendi tudo e trouxe minha família”.

Dos amigos, escutou que era arriscado “trocar o certo pelo duvidoso”. Dos empresários, que estava fazendo o correto. “Em Registro não dava mais para ficar porque não tinha mais espaço para crescer”, explica Yamada, que lamenta apenas ter que se desfazer do karaokê, vendido a um grupo de cerca de 20 amigos. “Era um cartão postal da cidade”.

Chegou em Janaúba em 1983 para fazer o que sabia, isto é, plantar banana. “Apesar de existir um projeto de irrigação, eles próprios ficaram assustados quando falei que ia plantar banana porque até então só tinha pesquisas”, conta Yamada, que iniciou com a nanica e depois investiu na produção da variedade prata. “Havia poucos compradores. Vendia para um comprador em Belo Horizonte e um pouco em Janaúba mesmo”. Mais uma vez, o negócio prosperou e Yamada expandiu seus domínios fundando a Brasnica Frutas Tropicais, que hoje conta com filiais nas cidades de Montes Claros (MG), Brasília, Contagem (MG), Rio de Janeiro, Aguiarnópolis (TO), Osasco (SP) e na capital paulista, totalizando dez lojas.

 

Kiyoshi Yamamoto – Segundo ele, que em 2004 recebeu o prêmio em excelência no exterior no 12º Congresso Nacional da Seiwajyuku, em Kyoto (Japão), o sucesso não veio por acaso. “Vida de agricultor não é fácil. Ás vezes, não precisamos sair de casa porque os compradores batem na nossa porta. Em outras ocasiões, temos que correr atrás”, conta ele, explicando que abriu a Brasnica para evitar concorrência. “Fiquei com receio de o preço abaixar e tive que me antecipar, aprendendo a vender e comprar. Outros tentaram fazer o mesmo, mas quebraram”, observa o empresário, que conseguiu sobreviver no mercado graças ao know how ao longo dos anos.

“Além de plantar, aprendi também a trabalhar e lidar com pessoas”, destaca Yamada, que teve mais dois filhos em Janaúba.

Em 2008, ano das comemorações do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, sua contribuição para o progresso da agricultura brasileira foi reconhecida com o Prêmio Kiyoshi Yamamoto, em 2008, e que agora espera colocar essa experiência a serviço dos janaubenses. Mesmo que para isso tenha que recorrer a sua terra natal.

(Aldo Shiguti)

 

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One Comment

  1. Olha só o novo prefeito de Janaúba, o único japonês a ser eleito até hoje no Brasil. Orgulho para a cidade de Janaúba e também esperança e perspectiva para o crescimento e desenvolvimento dessa região, ainda pobre e carente de muitos recursos e condições sociais. Tem uma população já de médio-porte mas ainda lhe falta grandes conquistas, como empregos decentes para as pessoas, institutos universitários importantes. O foco da cidade precisa ser mais expandido, não se situar apenas na agropecuária, no plantio de policulturas, não que isso deixe de ser importante, mas o desenvolvimento industrial, o turismo, a educação superior de qualidade e a saúde são pontos imprescindíveis para uma cidade se tornar um lugar onde exista melhor qualidade de vida para todos. Estou confiante nesse prefeito, Sr. Yugi Yamada, ao longo dos anos mostrou ser um homem honesto, muito trabalhador e dinâmico, tem sido um símbolo de grande empreendedor da região. Está na mais importante cadeira dessa cidade, que tanto precisa de uma gestão realmente administrativa e não simplesmente política.

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