ELEIÇÕES 2016: Se eleito, Doria quer estabelecer ‘laços fortes com o Japão’

Empatado tecnicamente na segunda colocação com a candidata do PMDB, Marta Suplicy, na corrida para a Prefeitura de São Paulo – de acordo com pesquisas eleitorais divulgadas na semana passada – o tucano João Doria disse que, “assumindo a Prefeitura de São Paulo, vamos estabelecer laços muito fortes com o Japão”. Segundo ele, a ideia é atrair investimentos japoneses com o objetivo de captar recursos para as áreas de tecnologia e serviços, “duas grandes” vocações da metrópole.

 

Em julho, candidato visitou o Tanabata Matsuri em companhia de Hirofumi Ikesaki e Aurélio Nomura. Foto: Jiro Mochizuki

Em julho, candidato visitou o Tanabata Matsuri em companhia de Hirofumi Ikesaki e Aurélio Nomura. Foto: Jiro Mochizuki

 

A afirmação foi feita com exclusividade ao Jornal Nippak, no último dia 10, durante visita do candidato à 12ª edição da Beauty Fair – Feira Internacional de Beleza Profissional realizada de 10 a 13 deste mês, no Expo Center Norte (zona Norte da Capital).

“São Paulo não tem vocação industrial, mas tem vocação e centros tecnológicos”, disse Doria, lembrando que já esteve em duas ocasiões no Japão. “Nas duas ocasiões anfitrionado por uma pessoa muito conhecida na comunidade nipo-brasileira, a empresária Chieko Aoki. Uma vez com seu marido, John – que faleceu em 2012 – e outra, por ela. Na oportunidade estive em Osaka e em Tóquio”, explicou, acrescentando que “São Paulo é a maior cidade japonesa fora do Japão, “com suas tradições, com suas histórias e com a influência do trabalho da comunidade japonesa”.

Segundo o candidato, a ideia é estimular parcerias que possam ser realizadas para atrair capital japonês e “também para assimilar experiências de uma grande metrópole como é o caso de Tóquio”. “Tóquio viveu experiências bem sucedidas em várias áreas que podem ser reaplicadas aqui em São Paulo. E isso pode ser feito com investimentos de grandes corporações japonesas somando-se, possivelmente, às grandes corporações brasileiras”, disse Doria, afirmando que, se eleito, pretende valorizar aspectos da gastronomia japonesa e de eventos, “como a Beauty Fair, a maior feira do gênero das Américas e a segunda maior do mundo em volume de negócios”.

 

Privatização – “Essa é uma vocação da cidade de São Paulo, ser um grande centro promotor de eventos e de feiras. Isso promove a difusão de produtos, marcas e serviços, além de promover geração de empregos e negócios, que por sua vez promove pagamento de impostos. E com isso a economia gira”, explicou Doria, que aproveitou para reafirmar que pretende privatizar o complexo Anhembi “para que ele possa ser recuperado com investimentos privados e colocado em condições de voltar a ser o grande centro de exposições que um dia já foi”.

“O Anhembi perdeu essa posição porque envelheceu, empobreceu e hoje não oferece condições adequadas”, criticou Doria, explicando que “em dois anos o Anhembi perdeu 52 feiras”. “São Paulo tem hoje três grandes centros de alta qualidade para exposições e eventos, como as grandes feiras – o Expo Center Norte, o São Paulo Expo Exhibition & Convention Center e o Transamérica – e um capenga, caindo, muito mal mantido exatamente por falta de investimentos”, cutucou o tucano, acrescentando que “o investimento para essa área não deve partir do setor público”. “Na minha opinião, o setor público nem deve cuidar disso. É uma função do setor privado”, garantiu Doria, antecipando que a privatização ocorrerá em três frentes.

“Nós vamos comercializar o Anhembi ao melhor preço possível numa concorrência internacional em três modelagens. Primeiro, o Centro de Exposições, especificamente para feiras, prevendo, inclusive, sua ampliação e modernização, com instalação de ar-condicionado e dotando de novas tecnologias, além de estacionamento subterrâneo, condições de acessibilidade e segurança tanto para expositores quanto para funcionários e visitantes. Outra parte será o Palácio de Convenções, para congressos e convenções, que é um outro nicho. E, por fim, o Sambódromo, que tem uma outra finalidade, ou seja, não tem nada a ver com a área de eventos empresariais. Ali sim, será um espaço para entretenimento. Vamos preservar a área para uso gratuito da Liga Independente das Escolas de São Paulo e da União das Escolas de Samba Paulistanas e transformá-lo num grande palco para espetáculos, pois lá você já tem estrutura e tem acesso. Basta, evidentemente, melhorar as condições físicas porque o Sambódromo nunca passou por uma grande reforma desde que foi inaugurado e está precisando de um redimensionamento dos banheiros e dar acessibilidade para as pessoas portadoras de necessidades especiais, além de promover melhorias no entorno”, destacou Doria, que também comentou sobre o Bairro Oriental, um dos principais cartões postais da cidade de São Paulo.

 

Bairro da Liberdade – Frequentador dos restaurantes japoneses localizados na região, Doria disse que “entendo que a Liberdade precisa e deve manter suas características orientais porque está é uma marca histórica de São Paulo”. “As pessoas gostam de frequentar o bairro, gostam de suas festas, da feira, dos eventos e de suas manifestações culturais. Acredito que o próprio setor público pode contribuir para sua preservação com a ajuda de associações e entidades que já atuam no bairro”, destacou o candidato.

Segundo Doria, a ideia é buscar também apoio no setor privado para “padronizar a arquitetura”.  “Instituições como bancos, lojas de varejos e outros segmentos ali estabelecidas podem buscar a mesma arquitetura que protege a ambientação do bairro com suas características orientais”, concluiu Doria.

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
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