ERIKA TAMURA: A força dos países asiáticos

Recentemente li um artigo, excelente por sinal, na Folha de São Paulo, do articulista Marcos Jank, onde o título diz: “O Século do Pacífico”. Jank, ressalta a grande importância dos países do Oceano Pacífico, ou seja, os países asiáticos.

Para quem conhece Marcos Jank é fácil entender o porquê do teor do artigo seguir a linha desse raciocínio digamos que, empreendedor. Jank é executivo da Br Foods, e atualmente mora em Singapura, onde fora transferido pela empresa para abrir um novo mercado.

Particularmente acho isso fantástico, pois conversei com Jank e ele pareceu muito empolgado com o novo desafio nos mercados asiáticos. Para mim, que tenho a experiência de conhecer o Japão, e conhecer bem o mercado japonês, sei que a Br Foods no Japão domina uma parcela grande no mercado de frangos, e agora passou a competir no mercado de porcos, e isso precisamos reconhecer e valorizar muito, porque não é fácil entrar no mercado japonês, fechadíssimo por sinal, ainda mais no setor alimentício, que é marcado por uma rigidez e rigorosidade absurdas. Mas a Br Foods conseguiu entrar e ainda dominar. Louvável!

O artigo de Jank, é caracterizado por um ponto bem interessante, a conquista dos mercados dos países do Pacífico, é um caminho que embora, já fora profetizado por Jonh Hay, secretário de Estado dos EUA, na virada do século 19, mas que só veio a se materializar no real contexto, somente agora.

Vamos diminuir o ponto de vista de Jank, e trazer para a realidade da comunidade brasileira que vive no Japão, que é onde quero chegar e o real interesse dos meus artigos. Pois bem, se os países asiáticos são os países promissores financeiramente para o futuro do empreendedorismo, então, a comunidade brasileira que vive no Japão é totalmente privilegiada! Será que as pessoas se deram conta disso? Acho que não…

Volto a insistir na mesma tecla onde há de se valorizar mais a educação dos jovens brasileiros que vivem no Japão, e exatamente por morarem no Japão, existe um diferencial da oportunidade em se aprender uma língua a mais, uma cultura a mais, e estar em contato com pessoas que jamais encontrariam, se morassem no Brasil.

A realidade é que jovens deixam de seguir em frente com os estudos, e vão trabalhar. Não há nada de errado em trabalhar, o que não pode é permitir que esses jovens com capacidade e intelectualidade em sonhar alto, acabam por trabalhar em fábricas e ali ficam para o resto da vida.

Devo ressaltar que não vejo nada de errado em trabalhar em fábrica, eu mesmo já trabalhei, mas se podem subir um patamar na escala de empregos, não vejo a necessidade em seguir assim.

Vejo muitos brasileiros reclamando de tudo aqui no Japão. Reclamam porque é segunda-feira, reclamam porque odeiam o serviço, porque o chefe é ruim, porque ganham pouco, mas dai penso, o que eles fazem para sair realmente dessa situação? A saída é bem simples, não está satisfeito, pense numa maneira de mudar isso.

Dando o primeiro passo, ninguém mais estará no mesmo lugar.

Eu, por exemplo, detestava trabalhar em fábrica, e queria muito sair dessa vida, mas percebi que para sair da fábrica precisava saber falar o japonês, além de ler e escrever, e não apenas isso, mas necessitava de habilitação de motorista, e o que eu fiz foi correr atrás de tudo isso.

Infelizmente, a maioria dos brasileiros mal falam o idioma japonês, assim fica muito difícil ter uma elevação na qualidade de vida.

E Jank em seu artigo, dá um conselho muito interessante e muito válido para os brasileiros que vivem no Japão: “Nesse tabuleiro somos apenas um peão lateral avançando lentamente, em direção única, ao passo que rainhas, torres, cavalos e bispos se reposicionam com força e agilidade. É hora de se mexer.”

Fica a dica, quem entender e se mexer primeiro sairá na frente.

 

ERIKA TAMURA

ERIKA TAMURA

nasceu em Araçatuba e há 18 anos mora no Japão, onde trabalha no Serviço de assistência aos brasileiros no Japão da Ong chamada Sabja

E-mail: erikasumida@hotmail.com
ERIKA TAMURA

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